EXCLUSIVO: Tonete explica indiciamento de médico e PRF a respeito de acidente na freeway | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

EXCLUSIVO: Tonete explica indiciamento de médico e PRF a respeito de acidente na freeway

EXCLUSIVO:  Tonete explica indiciamento de médico e PRF a respeito de acidente na freeway

O delegado de Polícia de Santo Antônio concedeu uma entrevista exclusiva à Folha Patrulhense e Rádio Itapuí sobre a conclusão do inquérito a respeito de acidente acontecido na freeway, na madrugada de três de março deste ano, em que uma adolescente perdeu a vida e três pessoas ficaram gravemente feridas no abalroamento de duas motos e uma BMW dirigida por um médico.
Valdernei Tonete disse que o caso tomou tal repercussão na mídia, por envolver um médico que tem renome na sociedade e que resultou na morte de uma pessoa, “mas que por uma trapalhada do policial rodoviário federal, por não ter exigido o teste de bafômetro e apresentado a ocorrência três dias depois, gerou numerosos comentários e dúvidas na população. O indiciado declarou ao depor na Delgacia de Polícia que poderia ter entregue a ocorrência até três dias após, por se tratar de acidente com lesão corporal culposa, conforme os manuais da Polícia Rodoviária Federal. No entanto, ao encerrar a ocorrência, a moça já estava morta, pois o óbito aconteceu às 5h30min, e às 6h, o policial estava no hospital tentando colher o exame de bafômetro, mas não o conseguiu porque o médico afirmou estar com crise asmática”.
O delegado disse que apesar da justificativa do policial, entende que após o seu plantão “o PRF deveria ter o cuidado, a cautela e a sensibilidade para saber o estado de saúde da vítima, porque o mais importante e o mais grave nesses momentos, é a situação dos acidentados e nesse caso o inquérito fica para um segundo plano”.
“Infelizmente se não tivessem ocorrido essas trapalhadas, primeiramente pelo policial e por ter envolvimento de um médico, a situação não teria atingido essa repercussão na mídia”, afirma Tonete.
E prossegue: “Mas entendo que o Código de Trânsito brasileiro é muito benevolente e leve, sendo que as penas deveriam ser mais graves porque, nesse caso, o homicídio de trânsito, conforme o artigo 302 da Lei nº 9.503/97, prevê pena de 2 a 4 anos, e se o médico for condenado à pena máxima, não vai ficar nenhum dia na cadeia”.
Disse ainda o delegado que recentemente houve uma alteração legislativa no Código de Trânsito, tendo sido inserido o parágrafo 3º, onde se diz que cometer homicídio na direção de veículo sob efeito de álcool ou outra substância a pena aumenta. “Deduzimos que em face desses elementos, ele estaria com sua capacidade psicomotora alterada, além da altíssima velocidade, conforme constatado pela PRF. O acidente foi na madrugada de domingo de carnaval (03/03), em uma freeway deserta. Dirigindo uma potente BMW disse não ter visto as duas pequenas motos. Só se ele estivesse “fora da casinha”. Por isso, o indiciamos por homicídio de trânsito sob efeito de álcool, cuja pena varia de 5 a 8 anos de cadeia. E a partir da condenação a 8 anos ele pode ser recolhido e preso”, disse Tonete.
E acrescentou: “Também o indiciamos de acordo com o artigo 303, parágafo 2º, da mesma lei, por lesão corporal culposa envolvendo três vítimas, e que foi praticado em função de estar alcoolizado, cuja pena é de 2 a 5 anos. O indiciamos ainda pelo artigo 307 da mesma lei, por conduzir veículo com direito de dirigir suspenso, porque ninguém compra uma BMW para deixar parada na garagem. A pena, nesses casos, é de seis meses a um ano, gerando apenas um TC (Termo Circunstanciado) e não vai preso, pagando uma cesta básica o que para ele, com bom poder aquisitivo não representa nada”.
O certo, no entendimento do Delegado de Polícia, seria quando a pessoa com direito de dirigir suspensa for flagrada, deve ser encaminhada à Delegacia e presa sem direito à fiança, que ficará a cargo do Juiz arbitrar o valor que, na opinião do delegado, deve ser bastante alta, porque nesses casos, o dinheiro depositado ficaria disponível para uma possível ação indenizatória por parte das famílias das vítimas.
Mas o delegado lamenta que, mesmo que as famílias entrem com ação de indenização, ele entraria com recursos podendo, num país por ele definido como da impunidade, se arrastar por cerca de dez a vinte anos.
Já em relação ao policial rodoviário federal, ele foi indiciado por prevaricação, por retardar a tomada do ato de ofício esperando o delegado que presidiu o inquérito, que essa medida seja acatada pelo Judiciário. Explica que se o policial tivesse tomado essas providências, a situação não teria ido ao ponto que chegou.
A parte da Polícia Judiciária já foi concluída, afirmou Tonete sobre esse inquérito. E por fim, destaca uma estatística trágica no trânsito brasileiro: a cada hora morrem cinco pessoas no trânsito, 120 por dia, e 3.600 no mês. “Temos que acabar com essa mortandade e alguma coisa tem que ser feita. Esse caso – não fosse a repercussão que ganhou – seria mais um número nessa tragédia”, concluiu o delegado de Polícia de Santo Antônio da Patrulha.




Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *