Jaime Müller fala sobre os cinco anos do Caminho Gaúcho de Santiago de Compostela: O historiador Jaime Nestor Müller neste artigo de sua autoria, fala sobre o Caminho Gaúcho de Santiago de Compostela e como tudo começou. Ele faz o percurso desde a inauguração pelo Cônsul da Espanha Dom José Pablo Alzina de Aguilar | 2M Notícias

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Jaime Müller fala sobre os cinco anos do Caminho Gaúcho de Santiago de Compostela: O historiador Jaime Nestor Müller neste artigo de sua autoria, fala sobre o Caminho Gaúcho de Santiago de Compostela e como tudo começou. Ele faz o percurso desde a inauguração pelo Cônsul da Espanha Dom José Pablo Alzina de Aguilar

Jaime Müller fala sobre os cinco anos do Caminho Gaúcho de Santiago de Compostela: O historiador Jaime Nestor Müller neste artigo de sua autoria, fala sobre o Caminho Gaúcho de Santiago de Compostela e como tudo começou. Ele faz o percurso desde a inauguração pelo Cônsul da Espanha Dom José Pablo Alzina de Aguilar

No início do mês de março de 2014, iniciaram-se as tratativas em trazer para o nosso município a “caminhada” nos moldes do milenar Caminho de Santiago de Compostela na Espanha. O motivo principal era que a Espanha, através de seus consulados no mundo inteiro, desejava realizar caminhadas em comemoração aos 800 anos da peregrinação no caminho espanhol de São Francisco de Assis, conforme relatos, efetivada entre os anos de 1213 e 1215, pelo Santo, padroeiro do animais. Quem nos trouxe esta oportunidade para a realização da caminhada, foi Tilton Martins dos Santos, patrulhense, que já fez quatro vezes o caminho espanhol, amigo do Cônsul de Espanha em Porto Alegre, Dom José Pablo Alzina de Aguilar. O Tilton me procurou, pois somos parceiros de caminhada em Santo Antônio há vinte anos. Fomos então atrás das autoridades, porque tínhamos informações de que concorria conosco uma cidade da serra gaúcha e sabíamos que a “peleia” ia ser dura. Como o prefeito Paulo Bier estava num compromisso, fomos então até a Câmara de Vereadores e falamos sobre o assunto com o presidente na época, Paulo Telles, que abraçou a causa e enviou correspondência para o Cônsul, levada em mãos pelo Tilton e a visita oficial do Cônsul foi marcada para o dia 10 de abril de 2014. Foi um dia com muitos compromissos, iniciados com uma cerimônia de recepção ao Cônsul na Câmara de Vereadores pelo prefeito Paulo Bier, o vice Armindo Ferreira de Jesus, o presidente da Câmara de Vereadores Paulo Telles e alguns de seus(as) secretários(as), bem como o Capitão Delamar Flebbe, da Brigada Militar. Após, a comitiva dirigiu-se até a Igreja Matriz, onde Jaime Nestor Müller fez um pequeno relato da história do município, relacionado com a criação da Capela Curada em 1760, bem como a história da vinda da imagem de Santo Antônio Peregrino que andou pelo caminho espanhol, carregada pelos peregrinos, padre Jair Peres de Pinho, Tilton Martins dos Santos e mais cinco amigos. Na oportunidade, entreguei ao Cônsul um trabalho feito por mim, contando toda a história da vinda da imagem do Santo Antônio Peregrino para a nossa paróquia.
Saindo da Igreja Matriz, iniciamos uma agenda de visitas que se estendeu até o final da tarde. A primeira empresa visitada foi a Argos. Ao meio-dia almoço e após, entrevista na Rádio Itapuí. À tarde, visita ao Campus da FURG e do Polo Universitário, onde fomos recebidos pelo professor Antônio Valente e a coordenadora Dilce Eclai Vicente. Posteriormente, visitamos as fábricas DaColônia na Costa da Miraguaia e a QualiCoco no Bairro Osolopes. A comitiva, além do Cônsul, teve sempre a participação do vereador Paulo Telles, vereadora Gloria Terra, do vice-prefeito Armindo Ferreira de Jesus, eu e o Tilton. À noite, houve uma pequena palestra do Cônsul para alunos do Polo Universitário/FURG. Ao final da jornada, o Cônsul mostrou-se impressionado pelo que viu nas indústrias visitadas e ficou encantado com o caminho que mostramos para ele, dizendo na ocasião que em certos trechos a geografia lembrava muito a região da Galicia, onde está situada a catedral de Santiago de Compostela. Nesse mesmo dia, ele disse que já havia decidido pela escolha de Santo Antônio da Patrulha, mas que ainda não poderíamos divulgar tal notícia, que ele faria o comunicado oficial somente no dia 25 de julho, dia de Santiago, padroeiro da Espanha. Nos meses seguintes, algumas reuniões aconteceram e se decidiu pela inauguração do mesmo, no mês de outubro.
A partir de então, através de uma visita ao Cônsul em Porto Alegre, com a participação do prefeito Paulo Bier, vereador Paulo Telles, vereadora Gloria Terra, eu e o Tilton, foi dado o passo inicial para desencadear o processo. Ao longo dos meses seguintes, sugestões e ideias foram surgindo e tarefas, tais como confecção de placas e folder’s foram iniciadas. Também o ponto de apoio aos caminhantes no meio do trajeto (km 06), foi instalado na casa do senhor Ari Nunes, um parceiro importante no empreendimento. Houve uma perfeita integração entre a Secretaria de Turismo e Cultura, e as Secretarias Municipais, com o Conselho de Turismo, Câmara de Vereadores, a ACASARGS (Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Compostela do Rio Grande do Sul) e comunidade. Finalmente chegou-se ao consenso e a data para a caminhada oficial, sendo escolhida: 19 de outubro de 2014. Inscreveram-se 356 pessoas para a caminhada inaugural, mas foi um final de semana com muita chuva e o evento contou com a presença de 150 pessoas.
O trecho inaugurado em 19/10/2014, foi o de 12 Km de extensão, saindo da Lagoa dos Barros. Esse trecho inicial foi escolhido pelo próprio Cônsul espanhol José Pablo Aguilar. Muita coisa foi modificando ao longo do tempo, sempre buscando a melhoria do trecho e tentando chegar o mais próximo possível do caminho espanhol, e algumas mudanças aconteceram.
Durante estes cinco anos do Caminho, já fiz 67 caminhadas, ora no de 12 km, ora no de 19 km, e já presenciei coisas fantásticas e fatos importantes, que faço questão de relatar ao menos dois deles. No dia 18 de outubro de 2015, caminhada do 1º aniversário do caminho, percorreu o trecho, o menino Henrique Santos com oito anos de idade, sendo até hoje, o peregrino mais jovem que completou o percurso de 12 km, acompanhado pelos seus pais. No dia 23 de outubro de 2019 (há poucos dias), caminhou no trecho de 12 km o senhor Henrique Paulo Schmidling, um advogado/alpinista/montanhista de 89 anos de idade, que participou do Encontro Raízes de Santo Antônio. Uma coincidência incrível entre os dois caminhantes, o mais novo e o mais velho, chamam-se Henrique.
Outro fato que me marcou foi o seguinte: Numa das minhas 67 caminhadas que já fiz no “Nosso Caminho”, quando entrei na Igreja Matriz para agradecer por mais uma vez ter realizado o trajeto com sucesso, fiquei de pé ao lado de uma das pias de água benta e me chamou a atenção um casal de meia idade, eles estavam sentados quase no final da igreja e visivelmente emocionados. Conversei com eles e me disseram que ao chegar na Igreja Matriz, toda a emoção e alegria que sentiram quando fizeram o caminho espanhol, e chegaram na Catedral de Santiago de Compostela voltou na memória, e eles não se contiveram e choraram.
Confesso que eu também acabei me emocionando com eles.
Tenho acompanhado muitas caminhadas, mesmo quando tive que parar por seis meses por causa de uma fascite plantar (2017), ou por três meses por causa de cirurgia de hérnia (2019), eu vou de carro até o trecho e observo caminhantes que vêm nos visitar. É incrível a quantidade de pessoas que fazem o caminho por conta própria ou através de empresas de turismo de fora da cidade, e mesmo com mau tempo. São pessoas que não entram nas estatísticas. Em 2016, quando eu caminhava sozinho, me deparei com dois paranaenses, da cidade de Colorado (PR), que fizeram por conta o caminho só por terem lido uma matéria do jornal Zero Hora. Já caminhei acompanhando muitos gaúchos de cidades distantes da nossa, e também cariocas, baianos, paulistas e até uma argentina. Baseado nos meus registros, posso afirmar com certeza que já passaram por aqui em torno de 10.000 pessoas fazendo turismo por causa do caminho nestes cinco anos. Num simples cálculo, podemos dizer que, uma pessoa que tenha deixado tão somente R$ 90,00 (noventa reais), no nosso comércio: restaurantes, fábricas de doces, empresa de turismo, postos de gasolina, pousadas, taxistas, cervejaria, venda de mel, chaveirinhos, etc., o município já faturou R$ 900.000,00 (novecentos mil reais). Fiz um cálculo médio, pois têm pessoas que gastam mais, outras menos. Que venham mais cinco anos do Caminho Gaúcho de Santiago em Santo Antônio da Patrulha/RS.
POR JAIME NESTOR MÜLLER




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