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Projeto voluntário de Gravataí auxilia moradores de rua da Região Metropolitana

Projeto voluntário de Gravataí auxilia moradores de rua da Região Metropolitana

Entidade realiza ações em três cidades. | Foto: Facebook / Reprodução

Grupo União Solidária, com sede na Parada 63, atende mais de 150 pessoas por semana

Toda semana, voluntários do grupo União Solidária de Gravataí, com sede na Parada 63, se reúnem para ajudar moradores em situação de rua das cidades de Cachoeirinha e Porto Alegre, além da própria Aldeia. Realizadas em média duas vezes por semana, as ações levam comida, roupas, calçados e cobertores a mais de 150 pessoas nos três municípios. No trajeto, o grupo percorre de carro as avenidas Dorival Cândido Luz de Oliveira e Flores da Cunha. Na capital, a jornada inicia pela Avenida Assis Brasil – com o final do percurso ocorrendo no Centro da cidade.

“Muita gente esquece que os moradores de rua também são seres humanos. Às vezes, essas pessoas são tratadas como se fossem lixo. É importante realizarmos estas ações para mostrar que esses moradores não estão sozinhos, e que há pessoas que realmente se importam com eles”, disse nesta sexta-feira o jovem Cristhofer dos Santos Viau, de 19 anos, que é um dos idealizadores do projeto. Segundo ele, as ações da União Solidária são feitas com o recebimento de doações na sede do grupo.

“Trabalhamos sempre com as três cidades. Nos dias em que a gente se reúne, saímos por volta das 21h e retornamos às 6h. A gente passa a noite inteira na rua porque sempre há moradores nessa situação que ficam no nosso trajeto”, relatou. Além disso, o grupo também ajuda famílias que estão em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, os voluntários entregam cestas básicas para moradores das proximidades das ERSs 020 e 030. Quando o grupo não possui doações suficientes, os próprios integrantes compram os produtos e entregam às famílias.

No Facebook, a página da União Solidária de Gravataí com cerca de 500 curtidas. Por lá, são publicadas as demandas dos voluntários. “Costumo divulgar as nossas necessidades. As pessoas vão compartilhando e as informações vão se espalhando. Alguns trazem os donativos até nós. Em outros casos, a gente vai até as pessoas para buscar o material”, explicou Cristhofer. Atualmente, a entidade é composta pelo jovem e outras seis pessoas – entre amigos e familiares. Na próxima terça-feira deverá ocorrer mais uma ação dos voluntários.

A dificuldade das sextas

Os voluntários não têm um dia específico na semana para fazer suas doações. Porém, conforme relata Cristhofer, as sextas-feira são sempre complicadas para os moradores de rua. “É um dia difícil para fazer as nossas ações, pois os moradores saem de seus lugares habituais. Segundo eles, algumas pessoas que voltam de festas os agridem. Em alguns casos, até tocam garrafas. Por isso, neste dia em específico, eles precisam sair de seus locais e procurar abrigo em ruas menos movimentadas”, lembrou.

O pedido inusitado

Em uma das tantas ações que já participou, Cristhofer se deparou com um pedido inusitado. Na oportunidade, uma mulher que ficava em frente à igreja da Parada 59, no limite entre Gravataí e Cachoeirinha, pediu um rádio de pilha aos voluntários. “Ela havia perdido sua família e virou moradora de rua. Como essa mulher só tinha uma filha – que não quis mais saber da mãe -, ela nos fez esse pedido, pois se sentia muita sozinha. Foi uma situação que me marcou bastante”, recordou o jovem.

Cristhofer guarda as doações recebidas pelo grupo em um espaço de sua casa – onde fica a sede da entidade. | Foto: Rodrigo Cassol/JG

Inspiração no avô

Ainda em 2015, por inspiração no avô Leomar, Cristhofer resolveu começar a praticar algumas ações sociais de forma espontânea. No início, o trabalho foi feito com crianças carentes moradoras da Parada 80 da ERS-020. “O meu avô sempre ajudava pessoas. Elas vinham até a nossa casa pedir auxílio e ele sempre as acolhia. Foi através dele que eu comecei a seguir esse caminho”, contou.

A primeira ação do grupo, que em 2018 viria a se tornar a União Solidária, foi na Páscoa de 2015, quando foram entregues chocolates a crianças em situação de vulnerabilidade social. “Na época, o projeto não tinha um nome. Era só pessoas que se reuniam, juntavam dinheiro e compravam o que era necessário. Conforme os anos foram passando, o pessoal descobriu o nosso trabalho com as crianças e passou a nos apoiar”, disse o jovem.

Mais de 100 mil pessoas viviam nas ruas em 2015, diz estudo

Segundo projeção feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com dados de 2015, o Brasil possuía pouco mais de 100 mil pessoas vivendo em situação de rua naquele ano. De acordo com o Instituto, do total das 101.854 pessoas nesta condição, 77,02% habitavam municípios com mais de 100 mil pessoas. O especialista em políticas públicas e gestão governamental e autor do estudo, Marco Antonio Carvalho Natalino, disse ao site do Ipea que o Brasil não conta com dados oficiais sobre esta população. “A ausência dessas informações prejudica a implementação de políticas públicas voltadas para este contingente e reproduz sua invisibilidade social no âmbito das políticas sociais”, disse.

O pesquisador propôs que a contagem dessa população “seja incorporada ao Censo de 2020” e que, até lá, “o governo federal incentive as gestões municipais a conhecerem melhor quem está em situação de rua”. Porém, de acordo com informações da Agência Senado, a inclusão dessa população no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve ficar para depois de 2020, “por restrições orçamentárias e por dificuldade de medir de modo confiável o número de moradores”.

Como ajudar

Onde: Avenida Eliza, número 87 – Parada 63 de Gravataí

Como: Alimentos, roupas, cobertores, calçados, fraldas e demais doações

Quando: Todos os dias da semana




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