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Trabalhadores da GM rejeitam mudanças e anunciam protesto em frente à fábrica

Trabalhadores da GM rejeitam mudanças e anunciam protesto em frente à fábrica

Os trabalhadores metalúrgicos receberam com preocupação a lista de medidas anunciadas pela General Motors, em Gravataí. Entre os 21 pontos que são discutidos, uma boa parte mexe nos direitos adquiridos pelos funcionários e implicarão em perdas salariais e de benefícios. Entre as alterações estão previstas mudanças como implantação de trabalho intermitente, redução de ganhos em plano de participação de resultados, terceirização de atividades e parcelamento de férias, entre outros. A montadora quer avançar no período de 10 dias com os ajustes e sinaliza que se não forem feitas as mudanças serão revistos investimentos anunciados na planta gaúcha. Durante a manhã desta segunda-feira, a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra) participou de uma reunião por videoconferência com integrantes da alta cúpula da empresa no Brasil e América Latina, e saiu decepcionada do encontro.
– Eles foram muito claros dizendo que se em dez dias não obtiverem o que querem, cortarão investimentos. Porém, os trabalhadores não podem pagar a conta porque eles querem lucrar mais. O trabalho intermitente, por exemplo, não vamos admitir porque, logo, muitos receberão um salário-mínimo. Se já está difícil, hoje, imagina com essa ideia. Outro item é que temos 40 horas semanais que conquistamos com muito esforço e não abriremos mão – afirmou o diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra), Valcir Ascari.
Entre as preocupações está a situação econômica do município que tem na operação do complexo automotivo uma importante fonte de renda.
– Não é só a indústria que perde. Quando a indústria para, os outros setores estão na UTI. Só haverá consumo na cidade se os trabalhadores da indústria estiverem bem. Essa é uma pauta de toda a sociedade. Não adianta os patrões tentarem reduzir custos a qualquer preço – completou Ascari.
A pauta é válida tanto para plantas no Brasil, como na América Latina e afeta revendedores, governos, fornecedores e trabalhadores, trazendo também preocupação para o líder do executivo municipal de Gravataí, o prefeito Marco Alba.
– Nos preocupa porque a régua que estabelece os procedimentos a serem seguidos pelas empresas é o mercado. A curto prazo acreditamos que não há um impacto significativo, mas a médio e longo prazo produzirá, sim, efeitos. Vamos acompanhar e iremos até São Paulo, junto com a direção da General Motors, para ter mais claro, a participação do poder público municipal – disse.
A montadora do Rio Grande do Sul abriga a produção do modelo Onix, atualmente o mais vendido do país. Foram 389,5 mil veículos comercializados em 2018, o que representa aproximadamente 15% da fatia de mercado. A montadora é líder nacional em vendas há pelo menos três anos. A presença da GM, em Gravataí, significa a geração de mais de seis mil empregos diretos e indiretos. Para o município representa, em retorno de ICMS, algo próximo de R$ 70 milhões.
Na última semana, a montadora havia ameaçado deixar o Brasil e América do Sul, caso os resultados financeiros não fossem melhorados. Nos últimos dias a General Motors fez reuniões com sindicalistas nas unidades de São José dos Campos e de São Caetano do Sul, em São Paulo. Foram propostas medidas como aumento da jornada de trabalho e terceirização de tarefas das unidades.
O protesto será realizado nesta terça-feira, a partir das 5h30min no portão de acesso à fábrica pela RS 030.

Itens que estão em pauta
1. Formalização de Acordo Coletivo de longo prazo (2 anos) renováveis por mais dois anos;
2. Negociação de valor fixo e substituição de aumento salarial para empregados horista e congelamento ou redução da meritocracia para mensalistas;
3. Negociação de Participação nos Resultados com revisão de regras de aplicação, prevalência da proporcionalidade, transição para aplicação de equivalência salarial e inclusão de produtividade;
4. Participação dos Resultados por três anos sendo zero no 1o ano, 50% no 2o ano e 100% no 3o ano. 5. Suspensão das contribuições da GMB por 12 meses de Previdência;
6. Alteração do Plano Médico;
7. Implementação de Trabalho Intermitente por Acordo Coletivo e Individual;
8. Terceirização de Atividades Meio e Fim;
9. Jornada de Trabalho pde 44 horas semanais para novas contratações;
10. Piso Salarial de R$ 1.300,00;
11. Redução do período de complementação auxílio previdenciário para 60 dias para um evento no ano;
12. Renovação de Acordos de Flexibilidade;
13. Rescisão no Curso de Afastamento d para empregos com tempo para aposentadoria (nova);
14. Desconsideração de Horas Extraordinárias (novas);
15. Trabalho em Regime de Tempo Parcial;
16. Jornada Especial de Trabalho (12/36 horas);
17. Ajuste na Cláusula de Férias com parcelamento previsto em Lei;
18. Regramento do Contrato de Trabalho Intermitente;
19. Implicabilidade de Isonomia Salarial acima dos 48 meses ara grade nova;
20. Cláusula regrando a adoção do Termo de Quitação Anual de Obrigações Trabalhistas;
21. Congelamento de Política de Progressão Salarial horista por 12 meses.




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