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Setembro Amarelo | Cerca de um terço dos atendimentos do CAPS II são relacionados ao suicídio

Setembro Amarelo | Cerca de um terço dos atendimentos do CAPS II são relacionados ao suicídio
Centro de Atenção Psicossocial de Gravataí recebe pacientes que planejaram ou tentaram tirar a própria vida. | Foto: Rodrigo Cassol/JG 

Com a chegada do mês de setembro, o debate em torno do suicídio e de sua prevenção volta à tona em todo o país, através da campanha Setembro Amarelo. Em Gravataí, conforme dados do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II), cerca de um terço dos 60 atendimentos realizados no local mensalmente tem relação com o suicídio. São pessoas que tentaram o ato ou que possuem planos sobre o assunto.

Entre os atendimentos realizados na instituição, tem aumentado a presença de jovens que solicitam ajuda. “Nos últimos anos, tem crescido o número de jovens que buscam o nosso serviço. Através das nossas discussões diárias, acreditamos que o imediatismo da vida das pessoas dessa faixa etária contribua para isso. Tudo tem sido muito rápido na vida deles. Essa ansiedade, que atinge os relacionamentos e a vida escolar, pode causar tédio e frustração. Parece que os jovens dessa geração não estão acostumados com algumas situações adversas”, disse a assistente social e coordenadora do CAPS II, Alessandra Piá da Rosa.

De acordo com dados do primeiro boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre o assunto, divulgado no ano passado, o suicídio é a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. Segundo a coordenadora do CAPS II, o número de homens em “idade produtiva” que buscam atendimento também tem crescido. “Alguns relatam a perda do emprego, ou de algum convênio que a família possuía. A mudança no padrão de vida também é um motivo usual nessas situações”, explicou Alessandra.

Assistente social acredita que tema ainda é tabu

Conforme Alessandra, o tema do suicídio ainda é um tabu na sociedade. “Quando a gente entrevista alguém e percebe uma ideação de tirar a vida, relatamos a situação a um familiar. Muitas vezes, os familiares têm muita resistência, e acham que estamos exagerando. Eles desconfiam do nosso trabalho e buscam outras justificativas para o comportamento do familiar. Muitas pessoas estão percebendo alguma coisa diferente, mas preferem fazer de conta que está tudo bem”, desabafou.

“A melhor forma de tratar o assunto é através da conversa. Porque observamos que, se a gente não pergunta, a pessoa não fala de livre e espontânea vontade a respeito do assunto. Muitas vezes por vergonha, medo de internação ou de sofrer represália da própria família”, explicou.

Como procurar ajuda no município

Para solicitar ajuda em Gravataí, o paciente pode procurar o CAPS II, localizado na Avenida Adolfo Inácio de Barcelos, número 1135, no Centro da cidade. Não é necessário ter um encaminhamento para ser atendido. O local oferece atendimento médico com psiquiatra, oficinas terapêuticas de artesanato e customização e grupos de ajuda específicos para jovens, homens e mulheres.

Em relação à atenção básica, os postos de saúde oferecem grupos de psicologia abertos à população. Esses grupos servem como prevenção e são indicados a situações que ainda não sejam consideradas graves. Para casos mais graves, quando ocorre a tentativa de suicídio, a orientação é a busca pelo serviço de urgência e emergência do município.

Ligação para prevenção ao suicídio é gratuita

Desde o segundo semestre deste ano, as ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV), que auxilia na prevenção do suicídio, passaram a ser gratuitas em todo o país. De acordo com informações da Agência Brasil, pessoas que sofrem de ansiedade, depressão ou que correm risco de cometer suicídio podem ligar gratuitamente para o número 188 e conversar com voluntários da instituição. O centro possui mais de 2 mil voluntários atuando na prevenção ao suicídio.

Confira alguns sinais que devem ser percebidos para evitar o suicídio

– Desânimo total

– Falta de interesse em realizar atividades rotineiras de higiene

– Isolamento social

– Perda de interesse em atividades antes consideradas prazerosas

* Fonte: CAPS II




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