Salas improvisadas, espera por obra e recuperação de aulas: como está a situação da Escola Tuiuti após a mobilização de junho | 2M Notícias

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Salas improvisadas, espera por obra e recuperação de aulas: como está a situação da Escola Tuiuti após a mobilização de junho

Salas improvisadas, espera por obra e recuperação de aulas: como está a situação da Escola Tuiuti após a mobilização de junho

Dos quatro pavilhões da escola, um está interditado e três estão funcionando sem as condições ideais. | Foto: Rodrigo Cassol

Após a paralisação de seis dias iniciada em 18 junho, quando a comunidade da Escola Estadual de Ensino Médio Tuiuti se mobilizou reivindicando melhorias na estrutura da instituição, a rotina no local tem sido diferente. Atualmente, os cerca de 1,2 mil alunos da escola, localizada no bairro Bom Sucesso, em Gravataí, estão tendo aulas em salas sem forro e em locais improvisados, como o galpão da escola, a biblioteca, a sala multimídia e a sala de informática.

Para a diretora da instituição, Geovana Rosa Affeldt, as condições atuais prejudicam o aprendizado dos alunos. “É uma situação difícil, pois chove e as crianças têm de passar pelo barro. Além disso, o nosso galpão, que não tem iluminação, por vezes é muito frio, e em outras oportunidades é muito calor. Sem falar da questão da alfabetização, que requer uma sala com um ambiente propício, com cantinho da leitura, alfabeto e ajudante do dia. Porém, com as aulas sendo em lugares diferentes a cada semana, isso se torna impossível”, disse Geovana nesta terça-feira. Segundo ela, todos os estudantes estão participando do revezamento de salas.

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Nesta semana, turmas 73 e 104 estão tendo aula no galpão da escola. | Foto: Rodrigo Cassol

Dos quatro pavilhões da escola, um está interditado e os outros três estão sem o forro – que foi retirado por determinação de engenheiros para evitar acidentes. O pavilhão inutilizado está nesta situação desde novembro do ano passado, quando o forro de uma das salas desabou. Por sorte, não havia alunos no momento do acidente. “Na época, uma professora do 4° ano do Ensino Fundamental me procurou para informar sobre problemas visíveis no forro. A partir disso, eu pedi para que não usassem a sala por dois dias. No dia seguinte ao chamado da professora, o forro caiu inteiro. Se alguém estivesse por ali, poderia ter morrido”, contou a diretora.

Sobre a recuperação das aulas, Geovana informou que os professores já estão trabalhando aos sábados. “Neste sábado, por exemplo, teremos aula nos turnos da manhã e da tarde. Também vamos recuperar algumas horas no período das férias”, informou. Além disso, a direção da escola projeta o aumento do número de horas de algumas atividades para alcançar a carga horária necessária.

Mobilização começou pelos pais

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Escola foi ocupada em junho. | Foto: Facebook/Reprodução

Desde que um dos pavilhões foi interditado (ele abrigava alunos do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental), os estudantes vêm assistindo as aulas nos lugares improvisados pela escola. A mobilização, de acordo com a direção da instituição, começou pelos pais dos alunos. “Eles pensaram em fazer algo diferente, e acabaram tomando a escola no dia 18 de junho. A todos que chegavam para estudar, os pais explicavam a situação de forma pacífica. Durante os dias de ocupação, alguns deles até dormiram na escola”, disse Geovana.

A autônoma Dênia Pereira Fortes, mãe de um aluno do 9º ano do Ensino Fundamental, ficou sabendo da mobilização através do WhatsApp. “Meu marido viu que o pessoal estava solicitando que as pessoas ajudassem na ocupação da escola. Então, eu vim para cá e ajudei fazendo lanches para o pessoal e também dando orientações aos alunos”, contou. Segundo ela, a manifestação foi importante para mostrar a atual situação da escola. A liberação do Tuiuti por parte dos pais ocorreu após promessa da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) de que as obras no pavilhão interditado seriam retomadas.

A partir do incidente, a direção da escola enviou um ofício à Coordenadoria Regional de Educação (CRE), que liberou uma verba emergencial para as obras no pavilhão e prometeu que faria uma avaliação nos demais prédios – todos construídos há mais de 30 anos. Para isso, quatro engenheiros foram enviados ao Tuiuti, e constataram que algo semelhante poderia ocorrer nos demais pavilhões. Para que os três prédios pudessem ser utilizados, um prestador de serviços teve que ser chamado para fazer a retirada dos forros. Os reparos já haviam sido iniciados em dezembro do ano passado, porém, devido a um erro no projeto, os trabalhos necessitaram de um aditivo de dinheiro – o que, segundo a direção, “vem trancando a obra”.

Piratini diz que prazo da reforma é de 90 dias

Em nota enviada à redação, a Secretaria Estadual de Educação disse que a reforma será concluída dentro de 90 dias. Além disso, a Seduc informou que já destinou os valores necessários para a realização dos trabalhos. “Foram enviados R$ 155.911,30 para a realização dos reparos na Escola Tuiuti. O atraso no cronograma ocorreu devido a um aditivo no contrato, que foi solicitado pela empresa responsável. O valor, de R$ 45 mil, já foi liberado pela Seduc. A empresa segue trabalhando no local”, informou a pasta.

Mais de R$ 100 mil perdidos 

Segundo a direção da escola, outro problema com os pavilhões vem ocorrendo desde 2016. Na época, a escola recebeu R$ 120 mil do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que distribuiu a verba para algumas instituições do Estado usarem em suas prioridades. “Nossos prédios tinham um problema na elétrica, que foi constatado por um eletricista. Fizemos um projeto e entregamos na CRE. O tempo passou e, em 2018, alguns alunos e funcionários relataram ter tomado choque ao encostar em algumas grades ou ao ligar alguma tomada de luz”, relatou Geovana. Segundo ela, o dinheiro vindo do BIRD foi recolhido porque o prazo foi perdido. “O governo não foi capaz de analisar o projeto”, desabafou a diretora.

 




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