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R$ 1,8 milhão | O Morro do Itacolomi está à venda?

R$ 1,8 milhão | O Morro do Itacolomi está à venda?

Para geólogo, anúncio publicado nas redes sociais pode levantar discussão sobre um uso sustentável do local. | Fotos: Divulgação

Um anúncio publicado na internet há pouco mais de duas semanas, envolvendo um dos grandes símbolos da cidade, tem despertado curiosidade em muitos gravataienses: “Estamos vendendo o Morro do Itacolomi”, escreveu Osvaldo Bins Ely através de uma rede social. Na publicação, Ely dá detalhes do patrimônio, estimado em uma área de 157 hectares localizada na parte superior do morro, nas proximidades do famoso ponto turístico da Aldeia. “Casa principal com aproximadamente 260 metros quadrados, com incrível vista (150 metros de altura) de frente para o penhasco”, relata o ainda anunciante do terreno.

Além de “fonte de água mineral” e “riacho com mini açude e cascata”, Ely afirma que o local proporciona “caminhada na mata com trilhas a montanhas e vistas para todos os lados, principalmente para o sudeste (Freeway) e sudoeste (Porto Alegre)”. Avaliada em R$ 1,8 milhão, a área ainda possui uma casa para caseiro, com cerca de 70 metros quadrados, uma garagem para equipamentos agrícolas e até um Galaxie 1969 abandonado, “que já virou lenda”, diz Ely.

Preço do terreno foi fixado em R$ 1,8 milhão.

Localizado a cerca de 12 quilômetros do Centro de Gravataí, às margens da ERS-020, o Morro do Itacolomi é uma formação rochosa arenítica, que faz parte do sistema Aquífero Guarani. No local, existem três sub-bacias, com nascentes para os arroios Barnabé e Passo dos Ferreiros, que abastecem o Rio Gravataí, e para o arroio Sapucaia, que desemboca no Rio dos Sinos. Segundo o Código Florestal, o topo do morro é uma área de proteção.

Nos comentários da publicação, muitas pessoas se divertiram ao imaginar a compra do terreno. “Ah, se eu ganho na mega…”, brincou Karem Andrades. “Já pensou que maravilha seria morar aí?”, imaginou Regis Santana. Entretanto, há aqueles que desconfiam da proposta. “Isso aí tem cara de golpe. Façam um pesquisa: 150 hectares valem, no mínimo, R$ 6 milhões”, contestou Rafael Alexsander. Sobre a questão financeira, o consultor de investimentos imobiliários Eliezer Becker disse que o imóvel precisa ser avaliado antes de qualquer estimativa de preço.

Questionado sobre a viabilidade da venda, o diretor-presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMMA), Luiz Zaffalon, disse que o terreno em questão possui um dono legalizado. “A FMMA e os órgãos da prefeitura entram na conversa se, eventualmente, alguém desejar construir algo no local”, explicou Zaffalon. Além das redes sociais, também há um anúncio em pelo menos um site de vendas. Procurada pela reportagem, a pessoa cujo número de telefone estava no anúncio não se manifestou.

“É preciso debater o assunto”, diz geólogo

Para o geólogo Sérgio Cardoso, a venda do terreno em questão deve ter uma discussão aprofundada, que, segundo ele, deve partir do poder público. “Com esse episódio da venda do morro, não podemos deixar que isso vire apenas uma matéria jornalística ou uma questão imobiliária. É preciso haver um debate entre diversos setores da sociedade para definir os rumos do local, pois não se trata de um terreno qualquer”, disse.

Como sugestão, Cardoso lembrou que a iniciativa privada pode ser uma aliada no processo. “Sabemos que o poder público carece de recursos. Porém, uma possibilidade é que o local seja adquirido pela prefeitura e, posteriormente, seja feita uma uma Parceria Público-Privada (PPP), para tornar o negócio sustentável e para incentivar o ecoturismo”, sugeriu.

“Criar um local com estrutura para trilha, caminhada, observação de pássaros e contemplação da natureza. Tudo isso com um número estipulado de pessoas por dia, a exemplo do Parque Estadual de Itapuã”, finalizou. Além de geólogo, Sérgio é presidente da Associação de Preservação da Natureza do Vale do Gravataí (APNVG) e do Comitê de Gerenciamento da Bacia do Rio Gravataí.

Itacolomi nas origens (e na bandeira) de Gravataí

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Quem já olhou atentamente para o brasão da bandeira do município de Gravataí certamente já deve ter percebido que a parte superior do símbolo é composta por um morro. Pois em 9 de setembro de 1964, o então prefeito Dorival Cândido Luz de Oliveira aprovou e sancionou a Lei Ordinária 558/64, que definiu o símbolo do município. “O morro identifica o Itacolomi, que domina a região onde se assenta o município e que, no passado, deu nome à sesmaria em que foi instalada a aldeia dos índios”, diz parte do documento, que está disponível no site da Câmara de Vereadores de Gravataí.

Patrimônio cultural do RS

Em 2003, uma lei de autoria do então deputado estadual Marco Alba (atual prefeito de Gravataí) colocou o Morro do Itacolomi e o Rio Gravataí na categoria de Patrimônio Cultural do Estado. A partir da sanção do governador da época, Germano Rigotto, “o poder público estadual fica incumbido da preservação do patrimônio, através das secretarias da Cultura e do Meio Ambiente. O Morro e o Rio também poderão ser incluídos em projetos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), com apoio da iniciativa privada”, diz documento da época.

 




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