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Quebrando preconceitos

Quebrando preconceitos

Everaldo é pai de Esther desde 2014. | Foto: Rodrigo Cassol/JG

Neste final de semana de Dia dos Pais, conheça a história do empresário de Gravataí que superou os próprios medos e, há cinco anos, ganhou mais uma filha.

Quando Everaldo da Silva Romeiro, de 57 anos, foi procurado pela atual esposa para sugerir a adoção de um filho, o empresário não se empolgou com a ideia. Pai biológico de três filhos, frutos de outras relações, Romeiro admite que, em 2012, quando surgiram os primeiros planos, tinha preconceitos com o assunto. “Confesso que no início eu não queria. Até porque minha família é conservadora, e isso acaba ficando enraizado na gente”, contou. Segundo ele, antes de aceitar ser pai novamente, foi preciso amadurecer. “Minha esposa já estava preparada, embora eu ainda não estivesse. Mas, como a gente começou a frequentar grupos de apoio à adoção, comecei a conhecer algumas crianças e a descobrir um outro mundo. Esse universo, que a gente não vê, possui crianças em abrigos, e algumas delas sofrem por terem sido retiradas de suas famílias”, relatou.

Com o passar do tempo, a experiência nos grupos e a convivência com a professora Elizangela Soares Romeiro, esposa de Everaldo, fez amadurecer a ideia no empresário – que acabou aceitando a missão de ser pai pela quarta vez. “Quando entramos na fila de adoção, nós fizemos uma tentativa. Ela acabou não se concretizando porque havia outras pessoas habilitadas na nossa frente. Devido a isso, a gente resolveu dar um tempo na procura”, recordou o empresário. Porém, o que o casal não esperava é que o filho desejado estava no ambiente de trabalho da futura mãe, que é professora da rede municipal. “Certo dia, a Elizangela chegou em casa após uma aula e disse: apareceu a nossa filha”, contou. A esposa do empresário estava se referindo à menina Esther Maria da Silva Romeiro, que era sua aluna na época, em 2014.

Depois do encontro inesperado, o casal foi ao Fórum de Gravataí para manifestar o desejo de adotar Esther, então com seis anos de idade. “Fomos conversar com uma assistente social, pois estávamos habilitados e tínhamos um perfil que poderia ser compatível com a nossa futura filha”, informou Everaldo. Para que o processo se concretizasse, o casal precisou contar com a sorte. “Devido à fila existente, foi feito todo um trabalho pela assistente e pelo Fórum para ver se não tinha alguém que também se encaixasse nas características da Esther. Para a nossa sorte, deu tudo certo”, lembrou Romeiro, com um sorriso no rosto.

Assim como Elizangela, Esther recorda com carinho do primeiro contato. “No momento que a vi, me agarrei nela. Ali eu senti que tinha uma mãe”, sorriu a menina, agora com 11 anos. “Lembro, também, que ligaram para o meu pai, para que ele viesse me conhecer”, contou, dizendo que é “muito bom” ter uma nova família.

Esther acompanha o pai durante o trabalho. | Foto: Rodrigo Cassol/JG

Início difícil

Apesar da cumplicidade que demonstram hoje pai e filha, o início da relação familiar foi difícil para ambos. “A Esther teve uma mãe biológica e, posteriormente, foi adotada por uma família de Gravataí. Essa família, três ou quatro anos depois, devolveu ela para um abrigo. Por isso, acredito que ela teve muitos medos e alguns problemas de saúde quando chegou a nós”, relatou o pai.

De acordo com ele, os problemas para quem busca uma adoção começam com a convivência. “Mas isso é algo que toda família tem. Eu possuo três filhos biológicos e cada um deles teve seus problemas também. Não é uma questão de ser adotivo. A diferença é que ela trouxe uma bagagem consigo, que a gente ainda não conhecia”, disse Everaldo. Sobre o período, Esther se limitou a dizer que “fazia muita arte”.

Não bastasse a difícil convivência inicial, a família teve de lidar com outro problema: a reprovação do avô. “Meu pai foi muito contrário à ideia no início”, lembrou Everaldo. Entretanto, o empresário conta com orgulho a mudança afetiva de seu pai. “Hoje, ele ama muito a Esther. É o xodó dele”, brincou. E o carinho do avô é confirmado pela menina. “Meus avós me adoram”, afirmou.

O dia a dia

Moradores de um condomínio localizado às margens da Freeway, em Gravataí, a família tem uma rotina agitada. Enquanto Elizangela se dedica às aulas, Everaldo e Esther vão para a empresa da família. “Eu acabo ficando mais tempo com a nossa filha, devido ao trabalho da minha esposa”, informou o pai. “De manhã, eu passo o tempo mexendo no celular. À tarde, estudo no colégio Gensa, onde estou no 5º ano do ensino fundamental”, contou a menina.

Duas vezes por semana, Esther participa de uma escolinha de futebol no condomínio onde mora. Segundo ela, seu sonho é ser jogadora do Grêmio. “Gosto de praticar esse esporte e me considero uma boa jogadora. Minha inspiração é a Marta”, revelou, destacando a maquiagem utilizada pela atleta. Durante a Copa do Mundo feminina, ocorrida entre os meses de junho e julho, a menina acompanhou a Seleção Brasileira.

“Estamos no mundo para quebrar paradigmas”

Neste domingo, a família estará reunida em Gravataí para celebrar o Dia dos Pais. Como mensagem para essa e para as futuras gerações, Everaldo lembra que as pessoas estão no mundo para quebrar paradigmas. “Tem um mundo melhor por aí. A minha família já mudou, os meus pais já mudaram e a Esther já mudou os amigos dela. É isso que a gente busca e quer para o futuro: que cada um faça um pouquinho em prol da felicidade de todo mundo”, finalizou.

Atualmente, o casal participa do projeto Elo, que é uma organização de apoio à adoção. De acordo com o site do projeto, o objetivo é “promover a garantia dos direitos de crianças e adolescentes em situação de acolhimento no município de Gravataí”. Além da Aldeia, o Elo possui grupos de apoio nas cidades de Cachoeirinha, Canoas, Novo Hamburgo e Porto Alegre.




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