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Projeto voluntário quer popularizar o acesso ao ensino superior

Projeto voluntário quer popularizar o acesso ao ensino superior

Aula de geografia foi realizada no último sábado. | Fotos: Rodrigo Cassol

Presente na Aldeia desde o ano passado, curso pré-vestibular do Emancipa já ajudou a aprovar seis estudantes da região em universidades.

Desde o ano passado, os estudantes oriundos de escolas públicas da região contam com mais uma opção para tentar o tão sonhado ingresso ao ensino superior. Isso porque a Rede Emancipa, movimento social de educação popular, oferece um curso pré-vestibular gratuito a alunos que não têm condições de pagar por um curso privado. “Por que nem todo mundo pode estar em uma universidade se ela é, teoricamente, pública? Queremos mudar esse sistema que, na nossa visão, não está correto”, explicou o coordenador do curso pré-vestibular do Emancipa em Gravataí, Renato Linck de Souza. Atualmente, o cursinho conta com 15 professores, que ministram aulas de matérias como matemática, português, física e geografia, entre outras.

Em 2018, seis alunos que estavam matriculados no curso pré-vestibular do Emancipa foram aprovados em uma universidade pública ou em uma instituição privada (com bolsa de estudo cobrindo 100% do curso). “No início do ano passado, tínhamos 50 alunos matriculados. Destes, apenas 20 chegaram até o final do ano e, felizmente, tivemos essas aprovações”, contou Souza. Neste ano, todas as 80 vagas para o curso, que começou na na semana passada, já foram preenchidas. Os alunos estão divididos em três turmas: duas delas com 30 alunos e outra com 20 estudantes.

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Casa Emancipa está localizada no bairro Castelo Branco.

Entretanto, os alunos interessados em participar do projeto podem manifestar interesse através de uma lista de espera, que atualmente conta com 18 pessoas. Para isso, basta entrar em contato através do telefone (51) 99212.5777. “Damos prioridade para os alunos que vêm de escola pública. Porém, se sobrarem vagas, também aceitamos estudantes oriundos do ensino privado”, disse Renato. De acordo com ele, o ano letivo ocorrerá até os últimos meses de 2019 – quando iniciam os vestibulares.

Neste ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será realizado nos dias 3 e 10 de novembro. Já o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) está marcado para dois finais de semana: nos dias 23 e 24 de novembro e nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro. A antecipação da data de aplicação das provas, segundo a UFRGS, “faz parte de um conjunto de medidas implementadas pela Universidade para otimizar os processos de matrículas e a ocupação das vagas”.

Desenvolvido de forma voluntária, o Emancipa está presente em diversos estados do país. Em Gravataí, a iniciativa começou através do Emancipa Esporte, realizado no loteamento Xará.

Dificuldades

Por ser um projeto voluntário, o Emancipa se mantém, em Gravataí, através de patrocínios de lojas ou de auxílio financeiro de pessoas físicas. “Em 2018, os alunos estudavam em cadeiras de plástico, em uma sala menor do que a que temos hoje. A mudança para a atual sede só foi possível devido a um apoiador, que nos disponibilizou uma casa, cobrando apenas uma espécie de aluguel social”, disse o coordenador. A Casa Emancipa, como é conhecida a sede do grupo, fica no bairro Castelo Branco, nas proximidades da Parada 76.

Julia está cursando Direito na PUC

A estudante Julia D’Avila, de 18 anos, participou do projeto Emancipa em 2018 e foi aprovada em Direito na PUC – onde estuda atualmente. De acordo com ela, o período de estudos era conciliado com a atenção dada a filha Aurora, então recém nascida. “Como ela era muito nova, eu tinha de levá-la junto. Eu sempre a deixava dormindo em um sofá enquanto eu assistia às aulas”, lembrou a estudante, que ficou sabendo do curso pré-vestibular através do Facebook.

“O curso foi bem produtivo, porque eu sempre aprendia algo nas aulas. Os professores são muito bons, pois compreendem que não se trata apenas de sala de aula, mas também de vidas e de problemas. O período no Emancipa me ajudou bastante a conseguir o ingresso no ensino superior”, contou a jovem.

 




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