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MP vai investigar agrotóxico proibido encontrado no Rio Gravataí

MP vai investigar agrotóxico proibido encontrado no Rio Gravataí

Reportagem elaborada por três agências mostrou que pelo menos nove defensivos agrícolas associados a doenças crônicas foram encontrados por aqui. | Foto: Facebook/Reprodução

Após dados do Ministério da Saúde apontarem que, entre 2014 e 2017, pelo menos 17 agrotóxicos (nove deles associados a doenças crônicas) foram detectados no Rio Gravataí, o Ministério Público vai investigar o caso. Na última quarta-feira, o promotor de justiça Eduardo Coral Viegas, responsável pela área da bacia hidrográfica do Gravataí, instaurou um inquérito civil para solicitar informações a respeito dos dados do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que verificou a utilização do agrotóxico Aldrin no Rio. O defensivo agrícola é proibido no Brasil e considerado como extremamente tóxico.

“Essa é uma pauta permanente dos nossos expedientes, e instaurei esse inquérito pois o Aldrin, especificamente, é proibido no país. Apesar de qualquer agrotóxico causar danos, os demais encontrados aqui são permitidos”, justificou. Sobre esta permissão no uso dos chamados defensivos agrícolas, Viegas disse que isso se trata de uma falha na legislação. “Os níveis permitidos aqui são muito superiores aos níveis permitidos em países desenvolvidos. Não bastasse isso, ainda existem projetos para ampliar a facilidade da entrada destes agrotóxicos”, criticou. A partir do inquérito instaurado por Viegas, sairá um ofício, que ainda não tem data para ser enviado.

Questionado sobre alguma hipótese inicial para a contaminação, o promotor disse que a data de coleta das informações é um empecilho para o caso. “Como os dados são referentes aos anos de 2014 a 2017, isso dificulta a investigação, pois esses componentes já não persistem mais na água. Somente perante uma denúncia ou reclamação é que poderíamos verificar quem utilizou ou está utilizando o agrotóxico. Portanto, é difícil de comprovar”, reconheceu. Segundo ele, não foram recebidas denúncias em relação ao uso de agrotóxicos nos últimos anos.

Água distribuída atende rigorosamente a legislação, diz Corsan

Através de nota, a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) diz que “a água distribuída à população nos 317 municípios gaúchos atende rigorosamente a legislação brasileira, que determina os parâmetros de potabilidade da água para os sistemas de abastecimento”. Além disso, a Companhia salienta que “os dados utilizados na pesquisa apresentada foram retirados do Sisagua e referem-se a amostras de água bruta (ainda não tratada).”

Ainda durante a nota, a estatal informa que, sempre quando é detectado algum agrotóxico na água bruta, é realizada a análise da água tratada correspondente, “não havendo histórico de presença desse agente após o tratamento”. Por fim, a empresa informa que, juntamente com a Associação das Empresas Estaduais de Saneamento, está pedindo esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre os valores disponibilizados com relação à presença de agrotóxicos na água usada para consumo humano, para que não haja “interpretação equivocada” das informações.

“Agrotóxico é veneno”, afirma ambientalista

Para o presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia do Rio Gravataí, Sérgio Cardoso, a descoberta dos defensivos agrícolas evidencia os benefícios do acesso à informação. “Hoje, nós podemos comprovar que muito do que se dizia sobre a questão do não uso dos agrotóxicos, que nada mais são do que venenos, não é uma verdade absoluta”, lembrou. Segundo ele, a sociedade precisa debater a atividade de diversos setores. “Qual a quantidade de resíduos que a indústria coloca pra dentro do Rio Gravataí? E o saneamento: qual a quantidade de esgoto que chega ao Rio e que ajuda a contaminá-lo?”, questionou.

Segundo Sérgio Cardoso, os ambientalistas ainda têm um longo caminho pela frente. “A constatação é essa. Acredito que, se não fosse o trabalho das entidades de preservação, o número de agrotóxicos poderia ser maior”, finalizou.

Entenda

No mês passado, dados do Ministério da Saúde obtidos em investigação conjunta da ONG Repórter Brasil, da Agência Pública e da organização suíça Public Eye mostraram que um “coquetel” que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de uma em cada quatro cidades do Brasil entre 2014 e 2017. De acordo com a apuração, nesse período as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como “extremamente ou altamente tóxicos” e 11 “estão associados ao desenvolvimento de doenças”.




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