“Jamais faria isso com intenção”, afirma motorista de micro-ônibus envolvido em atropelamento de cão | 2M Notícias

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“Jamais faria isso com intenção”, afirma motorista de micro-ônibus envolvido em atropelamento de cão

“Jamais faria isso com intenção”, afirma motorista de micro-ônibus envolvido em atropelamento de cão
Em depoimento à Polícia, homem afirmou que não viu o animal. Nesta semana, testemunhas do caso serão ouvidas. | Foto: Internet/Reprodução 

Na última sexta-feira, a Polícia Civil interrogou o motorista do micro-ônibus escolar envolvido no atropelamento de um cão, ocorrido no último dia 29, no bairro Parque dos Anjos, em Gravataí. Na oportunidade, o homem disse ao delegado Márcio de Jesus Zachello, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Gravataí, que o atropelamento não foi intencional. “Dirijo desde os meus trinta anos. Trabalho como motorista desde o mês de maio de 1999 e, desde então, com o transporte escolar. Se tivesse visto o cachorro, jamais o atropelaria com intenção”, disse em depoimento, o qual a reportagem do Grupo 2M teve acesso nesta segunda-feira.

Ainda durante a conversa, o motorista disse que acredita que o animal estivesse em um ponto cego do veículo. “Naquele dia, como sempre faço, parei o micro-ônibus para que a monitora, que é minha esposa, levasse um aluno até o portão e pegasse outros dois estudantes. Após todos estarem sentados, dei continuidade ao trajeto e me dirigi até a escola. Eu tenho uma visão muito boa de dentro do ônibus, mas acredito que o animal estivesse em um ponto cego”, explicou.

“Somente soube que havia atropelado o cachorro quando o pai de um dos alunos me ligou dizendo que eu havia passado por cima do animal, que pertencia ao vizinho dele. Em um primeiro momento, não acreditei. Porém, passados alguns minutos, uma vizinha ligou para a minha esposa e enviou o vídeo”, contou o motorista.

Ainda no depoimento, o profissional disse que vem recebendo ameaças nos últimos dias. “As pessoas me mandam mensagens pelo WhatsApp dizendo que vão apedrejar o ônibus e que vão passar por cima de mim, entre outras coisas”, disse. Sobre isso, o homem contou que registrou uma ocorrência policial relatando as ameaças que vem recebendo.

Polícia Civil ouvirá testemunhas

De acordo com o delegado Zachello, testemunhas do caso serão ouvidas ainda nesta semana. “Algumas pessoas pediram para falar com a gente. Vamos ouvir o que elas têm a dizer para verificar a postura do motorista e se a versão dele se sustenta. Com isso, poderemos ver se o atropelamento foi intencional, se houve algum tipo de negligência ou se ele não possui culpa”, disse o delegado. Entre as testemunhas, estão um pedestre que estava no local e uma pessoa que deixava seu filho dentro do ônibus.

“Ele precisa ser punido de alguma forma”, diz ativista da causa animal

Para a ativista da causa animal e diretora de bem-estar animal da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Gravataí (FMMA), o motorista precisa ser responsabilizado pelo atropelamento ocorrido na semana passada. “Pelo vídeo, dá para perceber que ele deve ter visto os animais. Caso não tenha enxergado, pelo menos ele deve ter sentido que passou por cima de algo. Eu, como motorista, se passo por cima de alguma coisa que não identifico, paro o veículo para ver o que é. Se realmente foi um acidente, ele omitiu o socorro”, disse Márcia.

Além disso, a diretora destacou que o veículo estava mal estacionado antes do incidente. “Se ele tivesse estacionado o veículo próximo à calçada, ele poderia ter visto os animais. Da mesma forma, a pessoa que estava junto com ele, conduzindo as crianças, também deveria ter visto os bichos”, lembrou a ativista, que fez um Boletim de Ocorrência do caso.

De acordo com Márcia, esse tipo de acidente é comum no município. “Somente nesta segunda-feira, recebi três chamados referentes a cachorros atropelados em Gravataí”, relatou.

O que diz a legislação

De acordo com o artigo 32 da Lei dos Crimes Ambientais (9605/98), “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” é passível de detenção (regime semiaberto ou aberto), que pode variar de três meses a um ano, além de multa.

Nesta quarta-feira, será instalada na Câmara dos Deputados uma comissão especial para analisar o Projeto que altera a Lei 9605/98, aumentando a punição para reclusão (regime inicialmente fechado) para um a quatro anos e multa. A proposta é do deputado Fred Costa (Patri-MG).

O caso

Após o acidente, um vídeo do caso começou a circular através das redes sociais. Nas imagens, que parecem ser de uma câmera de segurança, é possível ver o micro-ônibus parado em frente a uma residência. Na sequência, as imagens mostram duas crianças embarcando no veículo com o auxílio de uma pessoa adulta, que também entra no micro-ônibus. Após o embarque, o motorista acelera o micro-ônibus e acaba atropelando um dos dois cachorros que estavam deitados no meio da rua.




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