Programa Mais Médicos | Com saída de cubanos, região poderá perder mais de 20 profissionais | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Programa Mais Médicos | Com saída de cubanos, região poderá perder mais de 20 profissionais

Programa Mais Médicos | Com saída de cubanos, região poderá perder mais de 20 profissionais

Alguns médicos cubanos já retornaram a Cuba. | Foto: Marcelino Vázquez/ACN/Reprodução

Governo federal afirma que lançará edital de contratação de médicos nos próximos dias. Profissionais custavam cerca de R$ 2 mil aos municípios. 

Com o anúncio do governo cubano, feito na última quarta-feira, informando que deixará o programa Mais Médicos, os municípios de Gravataí e Cachoeirinha poderão perder, pelo menos momentaneamente, 23 médicos. Na Aldeia, do total de 36 profissionais que atuam no programa, 17 são cubanos. Em Cachoeirinha, seis médicos vindos de Cuba atuam no programa, que conta com oito profissionais ao todo. Conforme o secretário de Saúde de Gravataí, Jean Torman, a substituição desses profissionais ainda não está definida. “O Ministério da Saúde está prometendo um edital para a contratação de outros profissionais. Contudo, os municípios ainda não foram comunicados formalmente da saída dos médicos cubanos. Chega muita informação pela imprensa, mas ainda não há nada oficial sobre essa reposição”, disse o secretário.

Em Gravataí, os profissionais vindos de Cuba atendem pelas Unidades de Saúde da Família (USF), que possuem equipes que prestam atendimentos individuais aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e também visitas domiciliares, entre outros serviços. Ao todo, a prefeitura de Gravataí repassa aos profissionais cubanos cerca de 1,5 mil por mês. Contanto com todos os profissionais do programa, as USFs atendem a cerca de 140 mil pessoas. “O trabalho dos médicos cubanos se mostrou de grande valia, com excelentes resultados e uma especial aceitação das comunidades. Esperamos que o governo federal tenha uma medida compensatória, seja com recursos humanos ou, então, no aumento do volume de recursos para os municípios”, completou Torman.

Em Cachoerinha, os profissionais vindos de Cuba atendem cerca de 15 mil pessoas. “Eles atuam em seis diferentes equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF). Cada grupo atende, em média, 2,5 mil pessoas”, explicou o secretário municipal de Saúde, Paulo Eduardo da Silva Abrão. Segundo ele, o município gasta em torno de R$ 2 mil com cada profissional – valor destinado ao auxílio para transporte e vale alimentação. Sobre a substituição destes profissionais, o secretário disse que ainda não há uma definição. “Já conversamos internamente com o prefeito, para estudar algumas alternativas. Vamos seguir com o trabalho interno, ao longo da próxima semana, e tomar uma decisão”, finalizou. Através de uma rede social, o prefeito de Cachoeirinha, Miki Breier (PSB), lamentou a saída dos médicos cubanos do programa. “Suas ausências trarão prejuízos no atendimento. É inegável a consequência negativa do fim deste programa”, escreveu.

De acordo com o portal de notícias G1, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde informou, nesta quinta-feira, ter sido avisado pela embaixada de Cuba que todos os médicos cubanos deixarão o Brasil até o fim do ano. Atualmente, conforme dados do governo federal, o número de médicos cubanos que integram o programa no país é de 8,3 mil. No Rio Grande do Sul, 617 profissionais de Cuba atuam no Mais Médicos. Os profissionais que trabalham no programa recebem bolsa-formação – atualmente no valor de R$ 11,8 mil – e uma ajuda de custo inicial entre R$ 10 e R$ 30 mil, para deslocamento até o município de atuação. Além disso, todos têm a moradia e a alimentação custeadas pelas respectivas prefeituras. O contrato dos médicos cooperados é gerenciado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Assim, o Ministério da Saúde faz o pagamento das bolsas diretamente a OPAS, que repassa os valores a Cuba.

Com a saída dos médicos em todo o país, a Confederação Nacional dos Municípios acredita que, sem a garantia de outros profissionais, o fato poderá gerar a desassistência básica de saúde a mais de 28 milhões de pessoas.

Discordância entre Bolsonaro e governo cubano motivou saída

Na última quarta-feira, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), usou as redes sociais para informar a decisão do governo cubano em deixar o programa. “Condicionamos à continuidade do Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, escreveu o futuro presidente do Brasil. “Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares. Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos”, finalizou.

Já a Agência Cubana de Notícias publicou uma nota, nesta sexta-feira, dizendo que Bolsonaro “prejudicou” o atendimento médico à parte dos brasileiros. “A população pobre do Brasil, frequentada por médicos cubanos no programa Mais Médicos, não preocupa Jair Bolsonaro, ao referir condições inadmissíveis para a ilha e que violam o acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde. Bolsonaro anunciou mudanças e condições que questionam a competência dos médicos cubanos, e propõe medidas inaceitáveis ​​que violam as garantias acordadas desde o início do programa”, diz o texto.

Ministério da Saúde prepara edital de contratação

Em comunicado, o Ministério da saúde disse que a iniciativa imediata para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes que contam com profissionais cubanos será “a convocação, nos próximos dias, de um edital para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais de Cuba. Será respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no Brasil, seguida de brasileiros formados no exterior”, diz parte do texto. No início da próxima semana, o órgão concederá uma coletiva de imprensa para esclarecer detalhes sobre o edital de seleção e a chamada para inscrições. “A seleção de profissionais brasileiros em primeira chamada do edital será realizada ainda no mês de novembro, e o comparecimento aos municípios se dará imediatamente após a seleção”, informou o Ministério.

Já o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, disse nesta sexta-feira à Agência Brasil que vai sugerir à equipe de transição, na próxima semana, substituir as vagas abertas no programa por profissionais formados com recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo ele, o tema foi analisado por técnicos e agora deve ser debatido em nível político.

O programa

Criado em 2013, o programa Mais Médicos tem o objetivo de melhorar o atendimento do SUS, levando um número maior de profissionais às regiões onde há escassez ou ausência de médicos.




Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *