Entrevista com o presidente da Câmara | “A sociedade fica muito refém dos agentes políticos mais tradicionais” | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Entrevista com o presidente da Câmara | “A sociedade fica muito refém dos agentes políticos mais tradicionais”

Entrevista com o presidente da Câmara | “A sociedade fica muito refém dos agentes políticos mais tradicionais”

Airton Leal (PV) recebeu a reportagem do Jornal de Gravataí na sala de reuniões da presidência da Câmara. | Foto: Rodrigo Cassol/ JG

Natural de Santana do Livramento, Airton Leal Vasconcelos, de 54 anos, chegou a Gravataí no ano de 1974. De lá para cá, o morador do bairro Vera Cruz adotou o município como sua cidade natal e entrou para a vida política. Atualmente, Tio Airton, como é conhecido, está em seu sexto mandato como vereador e, pela segunda vez, comanda o poder Legislativo de Gravataí.

Sentado na sala de reuniões da presidência da Câmara de Vereadores, Airton Leal (PV) recebeu a reportagem do Jornal de Gravataí nesta segunda-feira para falar sobre projetos, diárias da Câmara, relação com o governo Marco Alba e, também, sobre a CPI do Ipag. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista concedida pelo vereador.

O que encontrou quando chegou à presidência da Câmara?

Encontramos um trabalho andando. O poder Legislativo não para e tem um grupo de funcionários muito bom. Cada um em seu setor desenvolve um bom trabalho. Nós assumimos no dia 2 de janeiro para fazer um trabalho voltado à comunidade, com o auxílio dos demais vereadores.

Queremos que a Câmara seja mais divulgada nas comunidades. Às vezes, o Legislativo fica distante das periferias. O nosso objetivo para 2018 é fazer com que a casa do povo seja mais próxima das pessoas. Queremos abrir a Câmara para entidades comunitárias e para todas as escolas do município, para que possam usufruir das dependências da casa e trazer projetos, sugestões e reivindicações. Tudo isso para que a comunidade gravataiense seja a grande beneficiada.

Quais ações pretende tomar durante o comando da Câmara?

Nosso gabinete propôs o projeto Escola na Tribuna, que foi aprovado no ano passado. A partir de fevereiro, vamos implantar esse projeto, que prevê que as escolas convidadas para vir à Câmara tragam representantes dos alunos para falar em nome da instituição de ensino. Os alunos escolhidos poderão dar sugestões e reivindicar melhorias para a escola que representam.

Além disso, acredito que a juventude tenha que participar mais da política. A sociedade fica muito refém dos agentes políticos mais tradicionais. Sou uma pessoa que saiu do movimento estudantil, na época na escola Tuiuti, e sempre fui um questionador das atividades políticas e sociais para o beneficio da comunidade. Sempre busquei, em meus mandatos e na minha vida política e comunitária, recursos e melhorias para a nossa comunidade. Queremos criar novas lideranças, e é na escola que o cidadão com maior potencial está.

Como serão tratadas as diárias dos vereadores?

Neste mandato, a gente teve um amadurecimento politico muito grande em relação às despesas da casa. Não só as diárias, mas as despesas em geral. Isso fica claro quando, no ano passado, foi devolvido mais de R$ 3 milhões ao poder Executivo. A expectativa para esse ano é devolver um valor aproximado a esse, mas isso depende de vários fatores. Não queremos economizar recursos apenas por economizar, queremos gastar apenas o necessário. Temos que ter cuidado para que possamos fazer um bom trabalho.

Como está a relação com o Executivo e, especialmente, com o prefeito Marco Alba?

Temos um bom relacionamento. Todos os projetos apresentados pelo Executivo foram aprovados no ano passado. Nós entendemos que a administração municipal tem uma maneira mais qualificada ao atendimento à comunidade, e está buscando aprimorar isso cada vez mais.

Como a presidência da Câmara acompanha a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores de Gravataí (Ipag)?

Eu entendo que a CPI do Ipag terá todo o respaldo da casa. Se precisarem de nós, estaremos à disposição para que as coisas sejam esclarecidas o mais rápido possível. Com certeza, deve haver propostas para bem atender os funcionários públicos de Gravataí através do IPAG.

Em 2015, foi aventada a possibilidade da criação de uma TV para a Câmara de Vereadores de Gravataí. A atual presidência considera levar essa ideia adiante?

Estamos sempre buscando que a comunidade fique mais bem informada. Talvez, poderemos discutir essa proposta, mas sempre vendo o melhor custo-benefício.  Não podemos prometer algo que não vamos ter condições de cumprir. A partir deste ano, as seções da Câmara serão transmitidas através de um canal no Youtube.

Por que a saída do Partido dos Trabalhadores (PT) e a escolha pelo Partido Verde (PV)?

Quando saí do PT, em 2013, a minha intenção era sair da política. Naquele momento, entendi que já tinha contribuído o suficiente. Mas, como sou um militante comunitário, fui eleito por uma associação de moradores. Fui participando de reuniões e de ações comunitárias. Então, fui convidado para entrar no PV. Por ser um partido novo, em ascensão, e por ser uma sigla preocupada com o crescimento do nosso município, resolvi aceitar o convite.

Na eleição de 2016, eu não queria mais concorrer. A atual superintendente da Câmara, Kelen Copa, iria disputar o pleito em meu lugar. Mas, ao decorrer do trabalho, percebemos que estávamos correndo o risco de não atingir a votação necessária e, então, resolvi concorrer.

Por que acredita que não foi eleito em 2012?

Sempre fui eleito com uma boa votação. Antigamente, eram apenas 14 vereadores na Câmara. Em determinado momento, esse número aumentou de 14 para 21. Eu sempre estive tranquilo, porque acreditava que com 21 vagas seria ainda mais fácil. No fim, perdi a eleição por 23 votos, por achar que o pleito já estava ganho.




Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *