Entrevista exclusiva | “Vejo uma necessidade de mais mulheres participarem da política”, diz Patrícia Alba | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Entrevista exclusiva | “Vejo uma necessidade de mais mulheres participarem da política”, diz Patrícia Alba

Entrevista exclusiva | “Vejo uma necessidade de mais mulheres participarem da política”, diz Patrícia Alba

Primeira-dama de Gravataí concedeu entrevista ao JG. | Fotos: Hiuri Souza / PMG

Sentada em sua sala no segundo andar da prefeitura municipal de Gravataí, a advogada de 42 anos e primeira-dama da cidade, Patrícia Bazotti Alba, recebeu a reportagem do Jornal de Gravataí (JG) na última semana para uma conversa de aproximadamente uma hora. Durante o encontro, Patrícia falou sobre a participação feminina na política, sobre os projetos do Gabinete da Primeira-Dama e, ainda, adiantou que teria orgulho de representar Gravataí nas próximas eleições, apesar de ainda não ser pré-candidata. Confira, abaixo, a íntegra do bate-papo.

JG: Qual é o papel da mulher na política?

Patrícia Alba: A mulher tem o seu papel e a sua importância em qualquer setor da sociedade. Não gosto muito de falar em ‘papel da mulher’, pois parece que temos um determinado papel a cumprir. Mas não é isso. A mulher pode ser o que quiser. Eu entendo a mulher e o homem como seres que se completam. A mulher já faz parte da sociedade em diversos meios. Eu, por exemplo, sou advogada. No meio do Direito, as mulheres são a maioria, sejam as advogadas, as juízas ou as promotoras. Nos concursos públicos, as mulheres também são a maioria, assim como na medicina. Há uma série de carreiras em que a situação é a mesma. Porém, na política ainda não.

Penso que a mulher ainda não entendeu a sua importância nessa área. Eu vejo que temos muitos problemas na política, e a mulher pode ser um ponto de equilíbrio para essa situação. Falamos muito na igualdade entre homens e mulheres. São igualdades de direitos, mas não igualdades físicas. Nós lutamos por direitos iguais, mas não somos iguais fisicamente. A mulher tem uma sensibilidade diferente do homem. Tem características diferentes. Acho que as mulheres não são melhores e tampouco piores, mas acho que nós podemos fazer o equilíbrio dentro da política. É por isso que vejo uma necessidade de mais mulheres participarem da política. Quando as mulheres entenderem isso, tenho certeza de que as coisas irão se equilibrar.

JG: Nos últimos anos, você se tornou uma primeira-dama mais atuante. Por quê?

Patrícia Alba: Talvez por mais conhecimento. Eu acredito que eu tenha atuado desde o primeiro ano do mandato do Marco. Eu procurei fazer aquilo que eu entendia como algo necessário a uma primeira-dama. Eu sentia que o prefeito precisava de uma colaboração. Enquanto ele ficou bastante focado na área política e administrativa, eu foquei mais na parte social e, desde o início, vim trabalhando neste sentido. Claro que a gente foi ampliando projetos, e talvez por isso tenha aparentado que eu estivesse mais envolvida apenas nos últimos anos. Mas o envolvimento e a participação no governo foram desde o início. Claro que a gente vai ampliando projetos. O Marco fez gestão à frente da prefeitura, e isso foi abrindo novas possibilidades para que a gente fizesse novos trabalhos, com novos recursos, e isso nos auxiliou nesses últimos anos.

JG: Como é o seu dia a dia no Gabinete da Primeira-Dama?

Patrícia Alba: O Gabinete da Primeira-Dama foi criado por lei e ele estabelece algumas regras. Por exemplo: eu tenho uma sala para trabalhar, onde eu estabeleço os meus projetos. O Gabinete, em si, não tem verba. Então, em todo o trabalho e projeto que eu faço, procuro executar de forma que não vá despender muitos recursos.

Eu não passo o tempo todo aqui no Gabinete, até por que o meu trabalho é voluntário e eu também tenho as minhas atividades. Portanto, não venho para cá todos os dias. Tem dias que eu atendo aqui no Gabinete. A população muitas vezes quer uma orientação, e eu estou aqui também para isso. Nos demais dias, a gente faz o planejamento dos projetos. Só que esses projetos, em sua maioria, são na rua. Em escolas, postos de saúde e nos Centros de Referência, entre outros locais. É nesses lugares que eu atuo mais. Basicamente, passo o dia andando pelos órgãos da prefeitura em função desses projetos que a gente tem.

Esses projetos que desempenhamos têm custo zero para a prefeitura. Algumas vezes, usamos apenas a mão de obra do Executivo. Desta forma, a gente consegue trabalhar bem. Buscamos a sociedade civil para trabalhar em parceria. Assim, todo mundo se doa um pouquinho e a gente consegue fazer um trabalho grande, sem que tenha custos para o município.

JG: Quais projetos que você desempenha que considera mais importante?

_MG_4238Patrícia Alba: A Campanha do Agasalho foi um dos nossos primeiros projetos. Ela já costuma acontecer em outras prefeituras e em outros lugares. A gente lança essa campanha todos os anos e fomos aprimorando-a. Uma coisa muito bacana que aconteceu aqui no ano passado durante a Campanha do Agasalho foi a Loja do Bem, que é um diferencial. Nessa ação, as pessoas vão até a loja para largar as roupas lá. Com isso, os gravataienses se motivam a levar roupas boas, porque quando você apenas pega uma roupa de casa e larga em alguma sacola, pode acontecer de alguma peça muito velha, e sem serventia, acabar sendo doada. Então, a Loja do Bem serviu para que as pessoas pudessem se dar conta de que devem doar roupas boas ou, no mínimo, com condições de uso.

Já o Outubro Rosa é uma ação bem bacana, e a gente tem estendido para todos os meses do ano. Ele apenas culmina em outubro, que é quando a gente faz um grande desfile com as mulheres que já tiveram câncer de mama e que superaram essa situação. Algumas delas ainda estão enfrentando o câncer. É um momento de muito desgaste da pessoa que está passando por isso, além do sofrimento da família. Nessa hora, as pessoas precisam de apoio e orientação. Como governo, procuramos fazer esse apoio de uma forma leve. Além do desfile, a gente promove encontros e realizamos diversos eventos para que as pessoas possam sentir-se bem. Depois disso, tem uma continuação, com acompanhamento e apoio para essas mulheres.

Sobre o projeto Gravataí Eu Faço Por Ti, eu considero como a menina dos olhos, sendo o trabalho que eu mais foco. Ele é o mais amplo dos projetos. Quando eu iniciei ele, tinha a ideia de fazer algo na área de preservação ambiental e separação de lixo, e esse foi o primeiro foco. A gente sabe que, quando se trata da separação de resíduos, ninguém quer falar, ninguém quer saber do lixo, querendo apenas se livrar dele. Só que o lixo, além de ser uma responsabilidade da prefeitura, também é uma preocupação que os indivíduos precisam ter. Não é só o município que é responsável pelos resíduos.

A princípio, pensei nessas questões e o nome veio em função disso. Eu desejava criar um projeto que envolvesse questões do meio ambiente, mas queria engajar a população nele. Queria e quero que os cidadãos se sintam integrados a esse projeto. Não é um projeto da prefeitura, é um projeto da comunidade. Por isso, o nome do projeto representa o que cada um pode fazer pela cidade. Afinal de contas, a gente mora e vive aqui, e precisamos cuidar da nossa cidade assim como a gente cuida da nossa casa. A gente limpa a nossa casa, pinta, dá atenção. Com a nossa cidade, não pode ser diferente.

Nos últimos anos, eu noto que as pessoas não tinham uma estima pela cidade. O pessoal costumava falar mal de Gravataí. Mas a gente tem uma cidade linda, rica, com rio e com morro. Nossa área rural representa 70% do nosso município. Se tu andares pelo interior da cidade, tu achas que aqueles terrenos todos nem fazem parte de Gravataí. Portanto, o objetivo do projeto é que cada um faça a sua parte. Qual é o nosso papel como poder público? É cuidar da cidade. A gente tem a obrigação de ir tirar o lixo da frente da casa das pessoas e temos que ter um local para depositar esse lixo. O que o cidadão tem que fazer? Separar o lixo, descartar da forma correta, não jogando lixo em qualquer lugar.

Quando a gente anda pela cidade, percebemos uma série de locais com descarte irregular de lixo. Quem colocou aquele lixo ali? Não foi a prefeitura. Mas as pessoas cobram do Executivo a limpeza do local. E a prefeitura recolhe o lixo regularmente. Só que, no dia seguinte ao da limpeza, já tem mais lixo no mesmo local. E as pessoas não se dão conta de que toda vez que a prefeitura tem que recolher esse lixo que foi jogado em lugar errado, tem um dinheiro indo, literalmente, para o lixo, deixando de ser utilizado em outras áreas

Tem uma parte de conscientização que é feita nas escolas, nas associações e no entorno destas instituições. Hoje, nós estamos com 35 escolas municipais participantes do projeto – e nós não obrigamos nenhuma instituição a participar. Dentro do projeto, a gente oferece uma série de palestras com os biólogos da prefeitura, que possuem capacidade técnica para instruir nossos alunos.

Também oferecemos visitas técnicas ao Rio Gravataí, que é lindo e, ao mesmo tempo, pouco conhecido pelas nossas crianças e adolescentes. Ele é maravilhoso, pois abastece a nossa cidade. Também temos uma visita guiada ao aterro sanitário. Levamos nossos alunos no local onde é feita a reciclagem. É uma visita muito interessante. Quem vai, não esquece de como funciona esse processo. São coisas que as nossas crianças precisam saber. Acredito que a gente já tenha passado pela fase do consumismo e precisamos parar para refletir. Precisamos consumir com consciência e ter um olhar melhor para essa questão. Costumo frisar que é algo que depende só de nós. Preservar também é cuidar do nosso cantinho, e não apenas se preocupar com o futuro da Amazônia.

JG: Vais se candidatar como deputada estadual nas eleições de outubro?

Patrícia Alba: Tenho sido questionada sobre o assunto. Hoje, temos um candidato a nível federal, que é o Jones Martins. Naturalmente, ele já é o candidato a deputado federal pela cidade. O meu nome tem sido colocado como uma pré-candidata a deputada estadual. Ainda não teve uma reunião no partido que estabelecesse isso. Então, ainda não sou pré-candidata. Acredito que possamos caminhar para isso, mas ainda não há essa definição do partido. Se houver o interesse da sigla, eu quero e estou à disposição. Terei o maior orgulho de representar minha cidade como candidata a deputada estadual.




Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *