Cruz Missioneira é inaugurada na Aldeia | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Cruz Missioneira é inaugurada na Aldeia

Cruz Missioneira é inaugurada na Aldeia

Cerimônia ocorreu na manhã de sexta-feira. | Fotos: Rodrigo Cassol

Monumento, que possui mais de quatro metros de altura, simboliza a importância dos índios guaranis saídos da região das Missões na formação de Gravataí.

A prefeitura de Gravataí inaugurou oficialmente, na manhã de sexta-feira, o monumento conhecido como Cruz Missioneira – em alusão aos índios guaranis que, em 1763, vindos da região das Missões após o término da Guerra Guaranítica, iniciaram o povoamento da então Aldeia de Nossa Senhora dos Anjos – atual município de Gravataí. Em cerimônia realizada na rótula que liga a Avenida Centenário à ERS-118, local onde está fixada a Cruz, o prefeito do município, Marco Alba, justificou a homenagem aos povos das Missões. “Quando assumimos a prefeitura, procuramos entender bem a história da cidade – tanto da fundação quanto da emancipação. Assim como inovamos na lógica da emancipação política, ocorrida em 1880, que é diferente da fundação e do povoamento da região que originou o que atualmente é Gravataí, hoje estamos fazendo um resgate histórico e cultural de nossas origens, que é esse vínculo com os jesuítas”, explicou Alba.

Presente na cerimônia, a prefeita de São Paulo das Missões e representante da Associação dos Municípios das Missões, Noeli Maria Borré Ruwer, se disse honrada com a instalação do monumento. “Estamos orgulhosos pelo reconhecimento, neste ato que é importante para todo o Estado”, disse a prefeita, que considerou a inauguração da Cruz Missioneira como “um movimento significativo para o turismo local”. Na mesma linha, o secretário adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Gravataí, Iuri Camargo de Oliveira, disse que o município começa a construir um corredor turístico. “Queremos que as pessoas conheçam nossa história e nossas belezas”, destacou.

Monumento, que tem mais de quatro metros de altura, custou R$ 25 mil.

Produzida pelo artista plástico Hermes José Vega Costa, de 56 anos, a Cruz Missioneira instalada na Aldeia tem 3 metros e 30 centímetros de altura. Contando a base do monumento, a altura total chega aos 4 metros e 70 centímetros. “Levei cerca de 45 dias para fazer este trabalho. Foi um período intenso, mas muito gratificante, pois eu sabia que faria parte de um acervo que vai ficar para a história da arte e para a história dos missioneiros”, disse Hermes. De acordo com dados disponíveis no Portal da Transparência da prefeitura, o monumento teve o custo total de R$ 25 mil. O contrato de prestação de serviços foi assinado em outubro do ano passado.

Além da presença de autoridades locais de Gravataí, como secretários e vereadores, a cerimônia de inauguração foi prestigiada por diversos prefeitos e secretários de municípios localizados na região das Missões. Além de discursos e do descerramento da placa contida no monumento, a Cruz Missioneira foi abençoada pelo padre Lucas Mendes. Por volta das 12h, um almoço foi servido no CTG Aldeia dos Anjos. Na oportunidade, foi exibido o documentário  “Gravataí Missioneira – Origens”, dirigido pelo jornalista e cineasta Beto Souza – que é um dos diretores do filme “Netto Perde sua Alma” (2001). Uma revista ilustrada também foi elaborada pela prefeitura.

“Fizemos um resgate dos fatos”, diz historiador

O doutor em História e professor do departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fábio Kuhn, participou de uma pesquisa que teve a finalidade de comprovar a ligação da região com os povos das Missões. “Esse passado da cidade já era conhecido. Porém, fizemos um resgate sistemático dos fatos, corrigindo algumas coisas. A ideia foi recuperar o passado guarani missioneiro do município”, explicou Kuhn.

Segundo ele, existem diversos indícios dessa ligação entre as regiões. “O assunto é bem fundamentado. Há muitos documentos e fontes concretas que comprovam que o território onde hoje é Gravataí foi, no passado, uma aldeia indígena. Basicamente, foi feita uma pesquisa bibliográfica, com consultas feitas em alguns locais, como o Arquivo Histórico do RS”, explicou o historiador, que resumiu a pesquisa como “bastante fidedigna”.

Para Marco Alba, a partir de agora o assunto está recebendo o devido valor. “Não é uma invenção. Foi feito um trabalho profissional de resgate, fundamentado através de dados e de documentos históricos”, finalizou o prefeito.

 




Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *