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Presos são mantidos em viaturas da BM em Gravataí

Presos são mantidos em viaturas da BM em Gravataí

Veículos estão estacionados em frente à DPPA do município. | Fotos: Rodrigo Cassol

Na tarde desta segunda-feira, pelo menos três pessoas estavam detidas em camionetes da Brigada Militar. Piratini diz que déficit de vagas no sistema prisional chega a 13 mil.

Deitado em uma cela improvisada na caçamba de uma viatura da Brigada Militar (BM), o detento Jorge Luis Reis Carlos, de 34 anos, desabafou. “A situação está horrível. Estou há uma semana aqui, e ainda não tomei banho. Para ir ao banheiro, temos que pedir aos policiais – que nos levam conforme eles querem. Nossa comida é trazida pela família, mas pouco podemos conversar com eles. Por que não nos tiram daqui de uma vez, para diminuir esse sofrimento?”, disse Jorge na tarde desta segunda-feira. Assim como ele, pelo menos outros dois homens estavam presos nesta segunda em viaturas localizadas na frente da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Gravataí, localizada no bairro Parque dos Anjos. Além dos três detentos das duas viaturas, a DPPA abrigava outros seis presos em celas localizadas dentro da própria Delegacia – alcançando a capacidade máxima do local.

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Na semana passada, viaturas estacionadas em frente à DPPA chegaram a abrigar cerca de dez detentos.

De acordo com o inspetor da Polícia Civil Jeferson Monteiro, a situação se agravou em dezembro, tendo piorado ainda mais neste mês. “Apesar de ocorrer há meses, até o mês passado essa situação ainda acontecia de forma mais espaçada. Porém, nos últimos dias, o sistema prisional não está mais dando conta. A gente manda eles para o presídio e, um ou dois dias depois, já há presos em custódia novamente”, relatou. Segundo o inspetor, os presos de dentro da DPPA ficam sob a responsabilidade da própria Delegacia, enquanto que os detentos que estão nas viaturas são custodiados por policiais militares. “É um problema de todas as delegacias do Estado”, constatou Monteiro. Na semana passada, a DPPA da Aldeia, que também atende o município de Cachoeirinha, chegou a custodiar 18 detentos.

Detido em uma viatura da BM há quatro dias, o jovem Lucas Hidalgo de Moura, de 19 anos, reclamou das idas ao banheiro. “É apenas uma vez por dia”, contou, apontando para as garrafas pet onde são feitas algumas de suas necessidades. “Espero que nos levem para algum lugar”, desabafou. Para o inspetor, a situação observada na DPPA é ruim para todo mundo. “Para os presos, há prejuízo na questão dos direitos humanos, pois eles não têm um banheiro adequado, não podem tomar banho e tampouco escovar os dentes. Simplesmente ficam enjaulados embaixo de sol, chuva e frio. Isso não é uma condição adequada para eles se recuperarem”, observou.

Em relação à polícia, Monteiro disse que a custódia dos detentos prejudica o trabalho dos profissionais. “É complicado, pois temos que atender familiares, advogados e os próprios presos. Além disso, eventualmente ocorrem brigas. Tudo isso prejudica a população que vem solicitar um serviço”, contou o inspetor, que salientou que as viaturas de custódia poderiam estar sendo usadas para o patrulhamento das ruas.

Piratini fala em déficit de vagas

Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária, a falta de vagas no sistema prisional é o motivo para que os presos estejam em viaturas. “Atualmente, temos 29 mil vagas no sistema e 42 mil detentos. Isso representa um déficit de 13 mil vagas”, disse o assessor de imprensa do órgão. Como medida para solucionar o problema, foi citada a abertura de três novos presídios, que deverão ser entregues ainda neste ano. “Em Bento Gonçalves, a penitenciária deverá ser inaugurada em maio. Já nas cidades de Sapucaia do Sul e Alegrete, os presídios deverão ficar prontos no final do ano”, completou o assessor. Com a liberação dos três novos locais, a Secretaria de Administração Penitenciária estima que cerca de 1,5 mil novas vagas sejam criadas no sistema prisional.

 




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