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No olho da rua 

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Conheça a história de pessoas que perderam o emprego e recomeçaram a vida nas sinaleiras da região.  | Fotos: Rodrigo Cassol/JG

A cada vez que a sinaleira da Parada 72 da Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira se fecha, Ezilda Marilú Linhares dos Santos, de 47 anos, recomeça a luta pela sobrevivência. Desempregada desde 2017, foi através da venda de balas de goma e de garrafas de água mineral que ela encontrou uma saída para – tentar – driblar a crise. “Eu era auxiliar de depósito em um atacado de Gravataí. Depois de cinco anos de trabalho, perdi o meu emprego. Mesmo procurando uma nova oportunidade, não encontrei nada”, contou a vendedora debaixo dos cerca de 35°C da tarde da última sexta-feira.

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Ezilda está desempregada desde 2017.

Trabalhando todos os dias na Parada 72, Ezilda disse que, desde maio do ano passado, reserva suas tardes de verão para o comércio de garrafas de água de 500ml, que custam R$ 2,50 a unidade. “Chego por volta das 14h. Se as vendas são boas e eu termino minhas mercadorias, costumo ir para casa por volta das 17h. Agora, se eu não consigo vender todas as minhas garrafas nesse horário, eu fico até mais tarde”, relatou. Em dias considerados bons, Ezilda vende cerca de dois fardos de “garrafinhas”. Já nos dias ruins, apenas duas ou três garrafas de água são vendidas por ela.

Nos dias em que o calor dá uma trégua, Ezilda se dedica à venda de balas de goma. Já no inverno, o produto comercializado é o merengue. Antes de ir para a Parada 72, ela trabalhava na sinaleira da ERS-118 com a Avenida Itacolomi, em Gravataí. Como os semáforos do local foram retirados, a vendedora teve de procurar um novo lugar. Quando não está na sinaleira, Ezilda se divide entre as tarefas domésticas e as compras para seu trabalho. “Descansar, de verdade, é só na hora de dormir”, resumiu.

Nascida em Espumoso, no interior do Rio Grande do Sul, Ezilda veio para Gravataí aos 14 anos de idade. De lá para cá, ela já trabalhou em uma fábrica de alumínio, em um supermercado, em uma padaria e “em mais um montão de coisa”. Morando com uma filha de 18 anos e com o marido, a vendedora acredita em dias melhores. “Às vezes, a gente está lá em cima. Às vezes, lá embaixo. Depois de um tempão, eu fiquei desempregada. A gente nunca sabe o dia de amanhã, mas esperança a gente sempre tem”, finalizou.

Nem tudo são flores para Silvio 

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Em média, Silvio vende cerca de 15 buquês de flores por dia.

Vendedor de rua desde 2002, Silvio da Rocha, de 50 anos, já trabalhou em várias sinaleiras da região. “Além do Centro de Gravataí, já estive nas proximidades da ponte de Cachoeirinha e nas paradas 66, 68, 61 e 59”, recorda o agora vendedor de flores. Atuando principalmente na esquina das avenidas Dorival e dos Estados, em Gravataí, Silvio comercializa buquês de flores a R$ 10. “Também entrego panfletos para lojas e comércios e vendo balas de goma”, explicou o trabalhador. “Estou há um ano desempregado, e por isso estou aqui. Quando as oportunidades surgem, eu dou um tempo da sinaleira”, disse ele, também na tarde da última sexta. Em média, Silvio vende cerca de 15 buquês por dia. “Venho para cá de manhã. Vendo minhas balas e minhas flores e, à noite, volto para casa”, contou o morador do bairro Vera Cruz.

Natural de Porto Alegre, Silvio foi criado em Minas do Leão – município que fica a cerca de 90 quilômetros da Capital. Com sete anos, ele voltou a sua cidade natal, onde morou “por um bom tempo”. Lá, ele foi papeleiro e chegou a morar embaixo de uma ponte. Já estabelecido, Silvio alugou uma casa com sua família no bairro Sarandi. Depois de algum tempo, o dinheiro ficou curto para a família. “O aluguel estava caro, e por isso tive de vir para Gravataí”, contou. Atualmente, o sonho de Silvio, que mora sozinho e paga aluguel, se resume a apenas uma coisa: “ter a minha casa própria”.




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