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Em busca de uma vida nova

Em busca de uma vida nova
Imigrante venezuelano, Danny Antonio está há cerca de um mês em Cachoeirinha buscando condições melhores de vida. | Fotos: Rodrigo Cassol/JG

Distante 6 mil quilômetros de sua terra natal, a cidade de Puerto la Cruz, na Venezuela, Danny Antonio, de 33 anos, luta diariamente para ter uma vida melhor. Fora de casa há pelo menos quatro meses, quando partiu em direção ao Estado de Roraima, o venezuelano ainda não conseguiu um emprego em Cachoeirinha, cidade em que mora há um pouco mais de um mês. “O Brasil é muito bonito, e as pessoas têm me acolhido bem por aqui. Agora, preciso arrumar um emprego”, disse Antonio.

Na Venezuela, Danny trabalhou como soldador, pedreiro e, por último, como vendedor de peixe. Para vir ao Brasil, o venezuelano teve de deixar a esposa e uma filha de 11 anos esperando em seu país. “Saí por necessidade. O salário já não era suficiente para o sustento, além de que não havia mais empregos. O valor da comida, que já era caro, aumentava seguidamente”, contou ele.

Assim como Danny, outros 79 venezuelanos chegaram a Cachoeirinha entre os dias 25 e 27 de setembro deste ano. Eles estão abrigados em um prédio localizado na Rua Ruy Barbosa, no bairro Vila Santo Ângelo – o espaço foi alugado com recursos do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que é um órgão da Organização das Nações Unidas (Onu).

Questionado sobre o que espera para o futuro, Antonio disse que sonha em trazer a família para o Brasil. “Quero conseguir um trabalho para poder trazer elas para cá. Desejo que tenhamos comida todos os dias e que possamos, aos poucos, ir aprendendo o idioma do Brasil”, contou.

Auxílio

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Imigrantes estão instalados em abrigo localizado no bairro Vila Santo Ângelo

De acordo com a assistente social responsável pelos venezuelanos em Cachoeirinha, Simone Moraes, o município recebe R$ 400 por mês para cada imigrante instalado na cidade, pelo prazo de seis meses. “É um recurso para ajuda de custo que vem do Ministério do Desenvolvimento Social. Nós recebemos a verba e ficamos responsáveis por administrar”, explicou. Já os alimentos são entregues ao município a cada dez dias pela Marinha do Brasil. “Recebemos todos os tipos de insumo, inclusive carne e pão. Até o momento, as quantidades de comida têm sido suficientes para eles”, contou.

Assim que chegaram, os venezuelanos foram encaminhados a um posto de saúde da cidade para a realização de vacinas e consultas médicas. Além disso, todos os imigrantes foram cadastrados no Programa Bolsa Família e inscritos no Sistema Nacional de Emprego (Sine). De acordo com a psicóloga Luciane Carraro, que atua na Secretaria Municipal de Assistência Social, o município iniciará uma parceria com a faculdade Cesuca para o atendimento psicológico dos venezuelanos.

Além do auxílio de órgãos oficiais, Simone Moraes conta que o local recebe diversas doações. “Temos bastante ajuda de igrejas, principalmente as evangélicas, que nos doaram roupas. Os imigrantes vieram apenas com a roupa do corpo para cá, e sentiram bastante o frio do Sul no começo”, disse a assistente.

Trabalho

Dos 80 homens que inicialmente chegaram ao abrigo de Cachoeirinha, 10 já não moram mais no local. “Alguns deles estão trabalhando como caseiros, e por isso dormem no próprio local em que trabalham. Outros, com a remuneração do emprego, optaram por alugar um espaço próprio”, contou Luciane Carraro. Do total de venezuelanos no município, cerca de 50 já possui algum tipo de vínculo de emprego. “Alguns atuam em construtoras, supermercados e pizzarias. Já outros ainda trabalham informalmente”, disse a psicóloga.

Interiorização

A transferência de venezuelanos de Roraima para outros Estados do Brasil é uma ação entre governo federal, Acnur, prefeituras e entidades da sociedade civil para dar assistência aos imigrantes que chegaram ao Brasil nos últimos meses fugindo da crise político-econômica da Venezuela. A Polícia Federal estima que de 2017 até a metade deste ano cerca de 130 mil venezuelanos tenham entrado no Brasil.




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