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Duplicação da ERS-118 custará mais de R$ 350 milhões

Duplicação da ERS-118 custará mais de R$ 350 milhões

De acordo com a Secretaria dos Transportes, 70% dos trabalhos já foram concluídos. | Fotos: Rodrigo Cassol/JG

Até o ano passado, R$ 223 milhões haviam sido investidos na rodovia. Para o secretário dos Transportes, a questão financeira é o principal motivo para a demora nas obras.

Se a atual previsão do governo do Estado se confirmar e a duplicação de 21,5 quilômetros da ERS-118 estiver mesmo pronta ao final de 2020, o valor total da obra será de pelo menos R$ 354 milhões. Iniciada em 2006, a duplicação da rodovia no trecho entre Gravataí e Sapucaia do Sul recebeu R$ 223 milhões em recursos do Estado até o ano passado. No período, os investimentos foram feitos pelos governos Yeda Crusius (R$ 11,2 mi), Tarso Genro (R$ 70,8 mi) e José Ivo Sartori (R$ 141 mi). Já neste ano, conforme anúncio feito em junho pelo governador Eduardo Leite, serão destinados R$ 131 milhões à rodovia através de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Apesar dos recursos investidos ao longo dos anos, o secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, acredita que o principal motivo para a demora na conclusão dos trabalhos é a questão financeira. “Não havia, até então, uma fonte oficial de recursos que garantisse a sequência das obras até a conclusão. A duplicação da ERS-118 sempre dependeu das condições financeiras próprias do Estado. E isso diante de um cenário de crise, agravada governo após governo, e que é de conhecimento de todos”, disse.

Atualmente, a duplicação da rodovia está com cerca de 70% dos trabalhos concluídos. Pela previsão atual do Palácio Piratini, a obra deverá ser entregue até dezembro de 2020. Segundo Frank Woodhead, membro do conselho fiscal do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs), a duplicação da rodovia deveria ter sido concluída há dez anos. “Não foi feito o planejamento adequado. A obra começou e depois teve que ser interrompida para, finalmente, recomeçar. Esse processo encarece a duplicação”, contou. 

Na mesma linha, o secretário dos Transportes acredita que a duplicação poderia ter sido executada com menos recursos. “Ela sofreu várias interrupções ao longo dos anos. Isso, naturalmente, tem um custo, pois obra parada sofre com a ação do tempo. Aí, são necessários ajustes de projeto, refazendo parte do que já havia sido executado. Por esse motivo, o governador Eduardo Leite determinou a retomada da ERS-118 assim que obtivemos o financiamento necessário para tocar os trabalhos até o fim”, comentou Costella, que ressaltou a importância de conseguir mobilizar novamente as frentes de obras ainda nos primeiros meses de governo, para “diminuir o impacto de uma parada maior”.

A duplicação 

Obras na rodovia começaram em 2006. Previsão atual de conclusão é para o final de 2020.

A duplicação e reestruturação de 21,5 quilômetros da ERS-118 foi dividida em três lotes. O primeiro, compreendido entre os quilômetros 11 e 21,5, nos municípios de Gravataí e Cachoeirinha, está com 90% da pista nova duplicada. Já o lote 2, localizado entre os quilômetros 5 e 11 (Sapucaia do Sul, Cachoeirinha e Gravataí), está com 88% das obras do contrato concluídas – alcançando 85% da pista de duplicação pronta. Por fim, o trecho de Sapucaia do Sul e Esteio (lote 3) é o que apresenta o maior atraso, com cerca de 50% dos trabalhos concluídos. No local, situado entre os quilômetros 0 e 5, a pista de duplicação está com 45% dos serviços realizados. As informações sobre a situação de cada um dos trechos foi enviada pela assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Logística e Transportes na última segunda-feira.

“Estamos acompanhando diariamente a execução dos serviços nos quilômetros de duplicação. No trecho de Sapucaia, há equipes trabalhando na construção da pista antiga e na abertura das ruas laterais. As pontes sobre o Arroio Sapucaia também estão em estágio avançado e a empreiteira tem aumentado o número de operários na construção. Nos 16 quilômetros restantes, onde a duplicação está mais adiantada, a construtora contratada mobilizou suas equipes. O Estado deu totais condições para que tudo fique pronto dentro da data prevista. Agora, é trabalhar para cumprirmos esse prazo”, finalizou o secretário.

Procuradas para comentar o andamento das obras, as construtoras Sultepa (lotes 1 e 2) e Toniollo Busnello (lote 3) não se manifestaram. Além da duplicação e da reestruturação, a rodovia possui oito contratos referentes a pontes e viadutos. Destes, cinco estão com as obras concluídas e três estão com trabalhos em andamento – todos em Sapucaia do Sul: viadutos sobre a Avenida Theodomiro Porto da Fonseca e sobre a linha do Trensurb e as pontes sobre o Arroio Sapucaia.

Demora que causa prejuízo

Proprietário de uma galeteria localizada próxima ao viaduto Itacolomi, às margens da ERS-118, Valter Carboni disse que lamenta ter de recordar o período em que o local esteve em obras. “Perdi muito dinheiro durante os anos de duplicação. Teve época que as pessoas quase não conseguiam chegar até aqui de carro, pois o viaduto chegou a ser trancado e os retornos também estavam indisponíveis”, lembrou o empresário, que acompanha a duplicação da rodovia desde o início.

De acordo com Frank Woodhead, a culpa pelo atraso nas obras não é somente do governo do Estado. “Todo mundo tem a sua parcela de contribuição. Desde o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), passando pelas próprias prefeituras, pois houve muita invasão de área no período. Enfim, ninguém quer assumir o problema, e assim a situação segue”, criticou.

Já o secretário dos Transportes considera a situação como lamentável. “É uma obra de tamanha importância para o Estado que se arrasta por 13 anos. Entendemos plenamente a impaciência e a incredulidade da população, em especial dos moradores dos municípios atingidos diretamente pela morosidade dos serviços. Acompanho a novela da ERS-118 desde o primeiro capítulo e não podemos mais prorrogar essa história”, admitiu Costella.

Dono de estabelecimento próximo ao viaduto Itacolomi (foto) reclamou da demora na duplicação.

Os investimentos realizados até o momento *

– 2007: R$ 720 mil;

– 2008: R$ 2,8 milhões;

– 2009: R$ 3 milhões;

– 2010: R$ 4,7 milhões;

– 2011: R$ 10,2 milhões;

– 2012: R$ 27,4 milhões;

– 2013: R$ 9,6 milhões;

– 2014: R$ 23,6 milhões;

– 2015: R$ 3 milhões;

– 2016: R$ 11,5 milhões;

– 2017: R$ 37,5 milhões;

– 2018: R$ 89 milhões;

* 2019: R$ 131 milhões (anunciados em junho).

– Total: R$ 354 milhões

Fonte: Secretaria Estadual de Logística e Transportes




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