Cachoeirinha | Novo comandante da BM aposta na tecnologia para combater o crime | 2M Notícias

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Cachoeirinha | Novo comandante da BM aposta na tecnologia para combater o crime

Cachoeirinha | Novo comandante da BM aposta na tecnologia para combater o crime

Para o comandante, WhatsApp é uma ferramenta de auxilío na prevenção aos crimes. | Fotos: Rodrigo Cassol

Em entrevista, major Ramos falou sobre o projeto Central Whats, que já cadastrou cerca de 1,5 mil moradores da cidade, e projetou seu trabalho no comando do Batalhão.

Ao assumir de forma interina o comando do 26° Batalhão de Polícia Militar (BPM), em meados de fevereiro, o major Eduardo Luís Ramos não hesitou em retomar um antigo projeto que o acompanha ao longo de sua carreira: a interação com a comunidade através das redes sociais. O projeto em questão, chamado de Central Whats, consiste na criação de grupos de conversa no aplicativo de mensagens WhatsApp. Esses grupos, formados por moradores de bairros, têm o objetivo de prevenir eventuais crimes no município de Cachoeirinha.

“Do final do ano passado pra cá, iniciamos esse trabalho nas comunidades. Já são 11 bairros da cidade organizados em grupos de Whatsapp – que estão em contato direto com a Brigada Militar (BM) do município. Isso representa cerca de 1,5 mil pessoas atendidas de forma mais rápida”, explicou Ramos. Segundo ele, esses grupos ajudam na prevenção de diversos crimes. “Se, eventualmente, a pessoa ver um indivíduo ou um veículo suspeito, em frente a sua casa ou ao seu estabelecimento comercial, ela entra em contato com a Brigada através do WhatsApp e a gente já consegue despachar uma viatura para averiguação”, disse o major.

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Sala de Comando funciona 24h, com o trabalho de dois policiais por turno.

Conforme Ramos, que vinha atuando como subcomandante do 26° BPM desde o mês de maio do ano passado, o trabalho com o aplicativo de mensagens WhatsApp já vinha sendo desenvolvido pelo antigo comandante da corporação, o tenente-coronel Luciano Bueno. “Ele deixou alguma coisa alinhavada. Por exemplo: já havia vários grupos de WhatsApp aqui no 26°. Porém, esses grupos são temáticos, como imobiliárias, taxistas, transporte coletivo e farmácia, entre outros. O que eu fiz foi implantar esse sistema dentro dos bairros”, explicou.

Os moradores interessados em participar do projeto devem procurar o 26º BPM, representados por uma liderança da comunidade. “Os moradores dos bairros, através de um presidente de associação, por exemplo, podem tomar a iniciativa de nos procurar. Dos atuais 11 grupos que temos, cerca de 70% foram criados por iniciativa dos próprios moradores”, disse. Entre os bairros já cadastrados, estão o Parque da Matriz e as vilas Cachoeirinha e Fátima. “A ideia é que toda a cidade esteja conectada conosco através desse projeto, que tem apresentado resultados bem positivos”, projetou Ramos.

A Sala de Comando, onde funciona a Central Whats, está localizada na sede do 26º BPM e funciona durante 24h. A cada turno de trabalho, dois policiais ficam encarregados de fazer a checagem das mensagens recebidas. No local, também é feito o controle do cercamento eletrônico do município – com a consulta das placas dos veículos suspeitos -, os atendimentos das chamadas para o número 190 e as comunicações via rádio.

Dos tempos do MSN

Durante a sua primeira passagem por Cachoeirinha, há cerca de dez anos, o major já havia implementado o que seria o “embrião” do Central Whats. “Na época, criamos um grupo no MSN com 30 comerciantes, a maioria com estabelecimentos na Avenida Flores da Cunha. Em uma parceria com o Sindilojas, essas pessoas pagavam uma taxa para a instituição – que servia para o pagamento da internet e do computador. Era um trabalho restrito a uma dupla de policiais, que atuava de moto nos locais em que eram chamados”, disse Ramos. Segundo ele, o trabalho também foi desenvolvido durante sua passagem por Porto Alegre, atuando no 19° e no 20° BPM.

Objetivos no Batalhão

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Segundo Ramos, 26º BPM tem déficit de pessoal de 50%.

Apesar de contar o com auxílio das redes sociais, o novo comandante do 26° BPM disse que o foco de sua gestão está nas estatísticas. “Trabalhamos com elas. O sistema implementado pela BM tem sete indicadores principais, em que os nossos superiores nos cobram mais. Esses indicadores são referentes ao número de homicídios, roubos e furtos, por exemplo. E será em cima dessas estatísticas que vamos estabelecer as nossas estratégias. Essa está sendo a minha metodologia”, contou.

Além do controle dos indicadores criminais, o major salientou que a motivação do efetivo é muito importante para o sucesso do trabalho. “Tenho trabalhado a parte motivacional, equilibrando os interesses da BM com os interesses particulares dos policias. A gente sabe que muitos moram no interior, e por isso a gente procura dar as devidas folgas a eles. Além disso, temos horários de natação e de futebol e oferecemos desconto para eles cursarem uma faculdade. Acredito que essas coisas ajudam o policial a sentir-se melhor em seu trabalho”, contou Ramos.

Questionado sobre o tamanho do efetivo do 26º BPM, o comandante disse que a informação é sigilosa. “Se dermos um número para os bandidos, eles poderão planejar suas ações. Temos que pensar com a cabeça deles, e é por isso que não podemos divulgar esse dado. O que posso dizer é que, atualmente, trabalhamos com um déficit de pessoal de aproximadamente 50%. Mas isso não é exclusividade de Cachoeirinha, é uma tendência observada em todo o Estado”, constatou.

O comandante

Natural e residente em Canoas, o major Ramos, de 46 anos, entrou na Brigada Militar em 1990. Ao longo da carreira, o policial já desempenhou diversas funções dentro da instituição, tendo trabalhado em cidades como Porto Alegre, Canoas e Alvorada, além de Cachoeirinha. A posse oficial do major como comandante do 26° BPM ocorreu no último dia 21 de março.




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